Archive for March, 2007

“Making Of” de Atlantis

Se você, como eu, era um pequeno nerd curioso na década de 80, provavelmente já se perguntou mais de uma vez “puxa, como eles fazem isso?” enquanto jogava seu joguinho favorito no Atari.

A resposta veio cerca de 20 anos depois: o povo da AtariAge encontrou no YouTube um trio de vídeos de um programa da PBS (emissora norte-americana) sobre a Imagic, a número dois no desenvolvimento de jogos para o Atari. Não lembra da Imagic? Então talvez você se lembre de dois nomes: Demon Attack e Atlantis. Lembrou? Sabia :)

O programa, com três segmentos (1, 2 e 3) de 9 minutos cada, acompanha o desenvolvimento do jogo Atlantis durante o ano de 1982, de sua concepção à estréia na CES (na época não existia E3). Você vai ver sessões de brainstorming, protótipos do jogo, produção dos cartuchos, testes do jogo com crianças, festas de lançamento e mais. Destaque para os programadores escrevendo código “na mão”, em papel, e trabalhando sem computadores em suas mesas.

Se quiser baixar os vídeos, recomendo o site Vixey.net: ele baixa o arquivo FLV do YouTube, faz a conversão online e te entrega um AVI ou MPEG-4 prontinho pra tocar em qualquer DVD Player ou no seu iPod. Genial.

UPDATE: Troquei os links do YouTube (fora do ar) por links para versões locais dos vídeos. São arquivos MP4, com cerca de 20 MB cada.

GPLv3: um tiro no pé do Software Livre?

Como mencionei no post sobre meu papo com Bruce Perens (veja entrevista inédita na PCMag de Abril), a GPL 3 vai incluir uma cláusula impedindo a distribuição de software por empresas com acordos similares ao que foi firmado entre a Novell e a Microsoft. Mas será que isso não vai ter nenhum efeito colateral? De repente as coisas clicaram, e esse post no Fake Steve começa a fazer todo sentido.

O HD-DVD está chegando.

Depois do Blu-Ray da Samsung, é a vez da Semp Toshiba entrar no mercado nacional de alta-definição com seu novo player de HD-DVD, o HD-A2. Bem menor que o modelo anterior (o problemático HD-A1), o player é capaz de reproduzir imagens em resoluções de até 1080i (para isso você vai precisar de uma TV Full-HD) e fazer “upsampling” da imagem de DVDs comuns para resolução HD. O preço sugerido, de R$ 2.999, é o mesmo dos produtos da concorrência.

Toshiba HD-DVD Player HD-A2

A Semp Toshiba também anunciou a nova linha REGZA de TVs LCD de alta definição. São modelos de 26, 32 e 37 polegadas com resolução de 1366×768 pixels (720p) e taxas de contraste de 800:1 (26 e 32 polegadas) e 1000:1 (37 polegadas). Todas equipadas com duas entradas de video composto, uma entrada S-Vídeo, duas entradas vídeo componente compatíveis com alta definição, uma entrada HDMI e outra para conectar um PC e usá-las como monitor. Infelizmente os modelos mais interessantes em exposição no showroom, dois LCDs Full-HD de 42 e 47 polegadas, só chegam ao mercado na segunda metade do ano, com preço ainda não definido.

Para apresentar os produtos ao mercado, a Semp Toshiba adotou uma estratégia bastante interessante: está montando displays com uma TV LCD (o modelo de 37″) e um HD-A2 em 40 lojas da rede Blockbuster. O player também estará à venda nas lojas, junto com os discos (R$ 100), também disponíveis para aluguel (R$ 15). No total, segundo a Blockbuster, já são 100 títulos disponíveis.

Com os dois lados oficialmente estabelecidos, começa a guerra da alta-definição no Brasil. Quem será o vencedor? O fator preço do aparelho, bastante importante lá fora (US$ 500 por um player HD-DVD, contra US$ 1.000 por um player Blu-Ray) aqui não existe (ambos custam o mesmo). As grandes locadoras, cautelosas, estão garantindo fartura de ambos os formatos. E o consumidor, coitado, está confuso no meio disso tudo, sem ver diferença clara entre os dois lados. E agora?

Apple TV: mal foi lançada, e já está sendo hackeada

Parece que o povo que gosta de fuçar em hardware está apaixonado pela Apple TV. Recém-lançada (veja o review na PCMag EUA e este passeio pela interface), a caixinha da Apple chamou a atenção de gente que já descobriu como tocar DiVX e XViD (usando os codecs Perian) e fazer um upgrade no HD (de 40 para 120 GB). Até mesmo um site especializado em “hacks” foi criado. 100 pontos bônus para o primeiro que conseguir rodar o Mac OS X “completo” (10.4) e transformar a Apple TV em uma espécie de “Mac micro”.

E complementando o que o Henrique falou: os relatos iniciais são confusos, mas aparentemente a Apple TV funciona em TVs “comuns” (os bons e velhos modelos de tubo e “definição padrão”), desde que elas tenham uma entrada video componente. EBA! Dei sorte! :P

As paródias da Novell

A Wired encontrou no YouTube as duas paródias dos anúncios “Get a Mac” que a Novell mostrou durante o Brainshare 2007. São engraçadinhas, mas o original ainda é melhor. Durante o evento também mostraram uma paródia da série 24 Horas (chamada 24×7), mas essa não é tão boa assim.

Mantendo seu nerd feliz

Uma amiga postou recentemente em seu blog um artigo chamado “coisas que nerds precisam para amar seu emprego“. É basicamente um guia sobre como manter seus nerds felizes e produtivos. Não pude deixar de pensar neste texto no primeiro dia do Novell Brainshare 2007, ao ver algumas das amenidades que a Novell providenciou para o conforto dos milhares de participantes.

Espalhadas por todo o evento estão barraquinhas como esta, com frutas (basicamente maçãs e bananas) frescas à vontade e gratuitas. Outros stands similares oferecem café (que no geral em Utah costuma ser intragável, mas no Brainshare é “bebível”), uma variedade de chás, refrigerantes, sucos e salgadinhos à vontade. Um gigantesco refeitório serve milhares de refeições no café da manhã e almoço diariamente. E, se o visitante quiser dar um tempo entre as palestras técnicas, ainda há as opções de entretenimento.

Em um canto do pavilhão há três mesas de sinuca, uma pequena LAN House (com várias pessoas disputando animadas partidas de jogos de tiro e World of Warcraft), um mini-cinema com filmes como Cassino Royale e Piratas do Caribe 2 e cadeiras de massagem, para aliviar o stress. Além disso, uma lojinha vende todo o tipo de bugigangas que os nerds adoram, de camisetas e xícaras de café gigantes a chaveirinhos detectores de Wi-Fi, tudo devidamente adornado com o logo da Novell. Para completar, a empresa providenciou um show com a banda Goo Goo Dolls na quarta-feira, para animar os participantes. A conexão à internet é garantida e gratuita, com uma rede wi-fi de alta velocidade que cobre todo o pavilhão.

A Renata estava certa. Os nerds daqui me parecem bastante contentes.

GNUs vs. Geekos

Enquanto a Novell comemorava sua parceria com a Microsoft e mostrava seus produtos e serviços em um grandioso evento no Salt Lake City Center em Salt Lake City, Utah, um pequeno grupo de jornalistas literalmente atravessou a rua na hora do almoço em direção a uma sala de reuniões no hotel Shiloh Inn para ouvir o que Bruce Perens, um dos expoentes da comunidade do software livre e autor da Open Source Definition, tinha a dizer sobre o assunto.

O evento começou com a seguinte declaração de Richard Stallman, enviada por e-mail e lida por Bruce Perens:

Free software means software that respects users essential freedoms, including the freedom to change the software so it does what you wish, freedom to run it, and freedom to redistribute copies. The denial of these freedoms is what makes proprietary software unethical. To make these freedoms a reality, we set out 23 years ago to develop the GNU operating system, which is the basis of all today’s “Linux” distributions, including that of Novell.

In 1983, a few free programs existed, and unscrupulous middleman eagerly took them and made non-free modified versions. It was clear that to deliver freedom to every user we would have to find a way to defend the users’ freedom. The method we developed is the GNU General Public License. The purpose of the GNU GPL is to ensure that redistributors of the program respect the freedom of those further downstream. The GPL defends the freedom of all users by blocking the known methods of making free software proprietary.

Novell and Microsoft have tried a new method: using Microsoft’s patents to give an advantage to Novell customers only. If they get away with scaring users into paying Novell, they will deny users the most basic freedom, freedom zero: the freedom to run the program.

Microsoft have been threatening free software with software patents for many years, but without a partner in our community, the only thing it could do was threaten to sue users and distributors. This had enough drawbacks that Microsoft has not yet tried it. Attacking in combination with a collaborator in our community was much more attractive.

If nothing resists such deals, they will spread, and make a mockery of the freedom of free software. So we have decided to update the GNU General Public License not to allow such deals, for the future software releases covered by GPL version 3. Anyone making a discriminatory patent pledge in connection with distribution of GPL-covered software will have to extend it to everyone.

In the mean time, let’s make it clear to Novell that its conduct is not the conduct of a bona-fide member of the GNU/Linux community.

Segundo Bruce, a comunidade não é contra a parte técnica do acordo entre Novell e Microsoft, que prevê colaboração no desenvolvimento de tecnologias que facilitem a interoperabilidade entre as plataformas das duas empresas, como suporte a virtualização do Windows Longhorn Server no Xen e filtros de importação/exportação de documentos do Office 2007 no OpenOffice.org. Toda esta tecnologia está sendo devolvida à comunidade, sob as licenças originais. A “bronca” é quanto a parte do acordo relativa às patentes de software.

Perens diz que atualmente é impossível, nos EUA, desenvolver um programa sem infringir ao menos algumas patentes de software, já que muitos dos processos e algoritmos essenciais foram patenteados de uma forma ou outra. Há empresas especializadas na fiscalização destas patentes e coleta dos royalties relacionados. Um processo por infração contra uma pequena empresa pode ser um golpe fatal, ou incapacitá-la por tempo suficiente para que a concorrência ganhe vantagem no mercado. Sob os termos do acordo, Novell e Microsoft ofereceriam a seus clientes proteção contra este tipo de processo, caso algum tipo de infração seja levantada contra seu software.

É algo similar ao que aconteceu alguns anos atrás quando a SCO, incapaz de conseguir dinheiro da IBM com seu processo por “plágio” de código de seu Unix no AIX e Linux, foi atrás dos usuários do sistema operacional exigindo o pagamento de “licenças” pelo uso de seu código. Algumas empresas menores e menos informadas pagaram por tais licenças. Mas a IBM entrou em cena, assegurando que protegeria seus clientes de uma potencial ação judicial. Sob os termos do acordo, Novell e Microsoft fariam a mesma coisa.

Isso é visto como uma “taxa de proteção”, similar à tática usada pelo crime organizado para extorquir dinheiro de pequenos comerciantes: “Puxa, seu mercadinho é muito legal. Seria uma pena se uma bomba estourasse aqui dentro em pleno pico de movimento. Mas se você me pagar uma taxa eu posso te proteger…”. Bruce defende a idéia de que, em vez de vender proteção, a Novell deveria se juntar à comunidade na luta pelo fim das patentes de software, eliminando o problema dos processos espúrios de uma vez por todas e beneficiando a todos.

Embora o acordo entre a Novell e a Microsoft seja perfeitamente legal sob os termos de versão 2 da GPL, licença que governa a distribuição da maior parte do software que compõe o SUSE Linux Enterprise Desktop e Server, Bruce informa que o comitê que está elaborando a versão 3 da licença (do qual a Novell faz parte) pretende incluir uma cláusula que proibiria a redistribuição do software por empresas que ingressam neste tipo de acordo em detrimento ao bem-estar e interesses da comunidade em geral. Isso impediria a Novell de redistribuir componentes críticos de suas soluções Linux.

Claro, isso considerando que todos os softwares que fazem parte do SUSE Linux Enterprise adotassem a GPL 3, o que é um cenário bastante otimista. O próprio Linus Torvalds, por exemplo, já declarou que pretende continuar usando a GPL 2 como a licença do kernel Linux. Entretanto a FSF ainda tem poder de barganha, já que controla dois componentes vitais de qualquer distribuição Linux: o compilador C (GCC) e a biblioteca padrão do sistema, libc. Com a nova cláusula a Novell não teria acesso a novas versões destes componentes, e teria duas opções: criar um “fork” e manter suas próprias versões, investindo grandes somas no processo, ou repensar seu acordo com a Microsoft e mudar de estratégia para sobreviver.

Acompanhe a íntegra da apresentação de Bruce Perens, chamada “Raining on Novell’s Parade” (algo como “Estragando a Festa da Novell”). São 40Mb em MP3, com cerca de 44 minutos de duração.

Os novos produtos da LG

A LG anunciou hoje pela manhã sua linha de produtos para o mercado nacional em 2007. São TVs, DVDs, linha branca (não tão branca assim), celulares e produtos automotivos (rádios para carros). Estive lá acompanhando o evento, vejam a seguir os principais destaques. Não esqueçam de conferir a galeria de imagens que postei na conta do amigo Henrique Martin no Flickr (veja três teasers abaixo deste post).

TVs Full HD: São TVs de Plasma com telas de 42 ou 47 polegadas e resolução de 1920×1080 pixels. Todas HDTV-Ready e com entradas HDMI, claro. Vão ser fabricadas em Manaus e chegam ao mercado nacional a partir de Abril. Os preços estão bem em conta, se comparados com a concorrência: R$ 10.999 (47 polegadas, 47LY3RF) e R$ 7.999 (42 polegadas, 42LY3RF).

TVs “Time Machine”: Telas de LCD (37 e 42 polegadas) ou Plasma (42 e 57 polegadas) equipadas com um HD de 80 GB, que possibilita pausar/rebobinar TV ao vivo e gravar até 30 horas de vídeo. Já à venda, a partir de R$ 5,499 (37 polegadas, 37LC2RR, LCD).

Player Blu-Ray/HD-DVD: Sim, o player híbrido que toca os dois formatos da guerra do vídeo de alta definição (LG BH100) está vindo para o Brasil, após fazer barulho na CES no começo do ano. Chega no segundo semestre, ainda sem preço definido. Vale mencionar que a reprodução de discos HD-DVD não é completa: faltam os recursos interativos do disco. Especula-se que isso acontece porque o DVD Forum (organização que controla o formato) se recusa a licenciar esta parte da tecnologia para uso em um player híbrido. São os interesses das grandes corporações prejudicando, mais uma vez, o consumidor. Talvez seja prudente esperar a próxima geração.

LG Prada: Chamado de objeto de desejo por alguns e “iPhone Killer” por outros, o Prada (nome oficial: LG KE850) é um celular GSM tri-band equipado com uma tela sensível ao toque e câmera de 2 megapixels. A interface, muito atraente, foi desenvolvida em Flash Lite. Chega ao Brasil no meio do ano, sem preço definido por enquanto. Coloquei um videozinho (sem muito foco) dele no YouTube, clique aqui para assistir.

Telefone com estilo


Este é o famoso “LG Prada”, o telefone celular que promete matar o iPhone (que ainda nem nasceu). Tela sensível ao toque, câmera de 2 megapixels e interface gráfica em Flash. – Telefone com estilo

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Blu-ray e HD-DVD


Em dúvida sobre qual lado escolher na guerra da alta definição? Fique com os dois. Este aparelho toca discos Blu-ray e HD-DVD, embora não funcione com a parte interativa dos discos HD-DVD (por causa de picuinhas de licenciamento). – Blu-ray e HD-DVD

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