Archive for August, 2007

Quem derrubou o Skype?

Logo do SkypeQuem usa o Skype regularmente com certeza notou a interrupção de serviço que durou alguns dias na semana passada. Por um problema nos servidores de autenticação, quase 220 milhões de usuários ficaram impedidos de utilizar o sistema. A pergunta que não quer calar é: de quem é a culpa?

A princípio, representantes da Skype Limited informaram que a causa do problema foi um bug no programa, que só se manifestou (de forma catastrófica) agora. Mas alguns dias depois, um post em um fórum de discussão afirma que o problema foi causado pela ação de hackers russos.

Segundo o post, tais hackers estavam procurando uma falha local no programa, quando tropeçaram em um trecho de código capaz de causar um buffer overflow remoto e tirar um servidor de autenticação do ar. Devido à natureza “Peer-to-Peer” do sistema, quando um servidor some outro assume seu lugar. Entretanto, ele também caia vítima do buffer overflow, e assim sucessivamente, até toda a rede de autenticação do Skype estar fora de combate. É como atirar em patinhos de metal enfileirados no parque de diversões. O post traz, inclusive, um trecho do código que teria sido usado para causar o problema.

Representantes da Skype foram rápidos em negar o ataque, e continuaram insistindo na história do bug. Entretanto… hoje apareceram com uma outra explicação: a culpa é, parcialmente, da Microsoft. O problema teria sido causado pela “Patch Tuesday” (Terça dos Patches) dia do mês no qual a Microsoft lança correções de segurança para seus sistemas operacionais. Uma destas correções forçava um reboot na máquina, e o imenso volume de PCs se desconectando da rede e tentando se reconectar ao mesmo tempo teria gerado uma sobrecarga. Nesse momento uma falha no mecanismo de “auto-regeneração” da rede Skype teria criado um efeito cascata que causou os problemas durante dois dias.

O problema com essa desculpa é: esta não é a primeira Patch Tuesday da Microsoft, a data já é tradição. Porque o problema nunca aconteceu antes? OK, desta vez havia um patch que forçou um reboot até mesmo em máquinas com o auto-update desativado, mas isso já ocorreu outras vezes.

Sei não. A princípio eu não levei os hackers muito a sério, mas que essa história de patches da Microsoft cheira a “cover up” para salvar o próprio traseiro, cheira. A Skype preza pelo fato de que sua rede é considerada “segura”, e admitir um ataque, mesmo que ele não tenha colocado informações em risco, poderia manchar a imagem da empresa. Ainda mais agora, quando ela se esforça para crescer junto aos usuários corporativos.

Descanse em paz, AppleWorks

Ícone do AppleWorks 6Quando mencionei, em uma de minhas notas sobre o recente evento da Apple, que o iWork ’08 era como “AppleWorks ressurgido das cinzas”, me esqueci de um pequeno detalhe: até aquele momento não haviam cinzas. Na verdade, não havia sequer um corpo para cremar. Agora há.

A Apple finalmente matou oficialmente o AppleWorks. O software não consta mais na lista de produtos na página da Apple, e o link para a sua página oficial agora aponta para a página do iWork ’08. A bem da verdade, desde o lançamento da versão 6 em 2000 que o programa não recebia muita atenção (exceto uma atualização para compatibilidade com o Mac OS X por volta de 2004). E num mundo viciado no Microsoft Office (muito superior em recursos), o AppleWorks não fazia muita diferença e ultimamente era mais usado no mercado educacional.

O AppleWorks começou sua vida em 1991 como ClarisWorks, produzido pela Claris, uma subsidiária da Apple que hoje se chama FileMaker, Inc. Na época era um programa revolucionário, e tinha recursos que o próprio Microsoft Office para Mac só foi incorporar na versão 2004. A versão 1.0 chegou a ultrapassar o Microsoft Works (a suíte office “lite” da Microsoft na época) tanto em vendas quanto em faturamento. Bob Hearn, um dos desenvolvedores originais do programa (junto com Scott Holdaway), conta mais dessa história em um excelente artigo chamado A Brief History of ClarisWorks.

Lote de equipamentos NeXT à venda no eBay

Está à venda no eBay um lote de equipamento de informática digno de ser exposto, com orgulho, em qualquer museu de tecnologia do mundo. Trata-se de um NeXT Computer, o primeiro computador da NeXT (empresa fundada por Steve Jobs após sua saída da Apple) e um pacote completo de periféricos, software e documentação.

O NeXT Computer, com seu gabinete de magnésio em forma de cubo (soa familiar?) foi atualizado com uma placa com um processador Motorola 68040 de 25 MHz e 52 MB de RAM. Internamente há um HD SCSI de 2 GB da Seagate e um a unidade de leitura de discos magneto-ópticos de 256 MB cada. Além da máquina, o pacote inclui um monitor preto e branco (Megapixel Display), teclado e mouse originais, uma impressora laser preto-e-branco, também da NeXT, caixa de som, drive de CD e Floppy (de 2.88 Mega) externos – ambos em cases no estilo NeXT – e um conjunto completo de cabos, software (inclusindo sistema operacional e versões do Mathematica) e manuais e guias. Tudo funcionando e em excelente estado de conservação. Na página do leilão há até um screenshot do NeXT Computer acessando o Google. Interessante, se você considerar que a “Web” como a conhecemos (tanto o primeiro servidor HTTP quanto o primeiro cliente) nasceu num destes computadores.

No momento em que escrevo isso, o lote está cotado a US$ 710, com uma semana para o término do leilão. Tenho a impressão que o preço vai subir, e bastante, até o final. Esse lote é o sonho de qualquer colecionador. Ah se eu tivesse dinheiro sobrando… :)

Ossos do ofício

Em qualquer profissão, chega um momento em que você precisa fazer algo de que não vai se orgulhar depois. Hoje foi minha vez. É duro admitir, mas passei as últimas horas instalando o Windows Vista… em um Macbook Pro. :P

Mac OS X com Parallels Desktop

A foto acima não é uma montagem. Tampouco é um Mac com cara de Vista, nem um Vista com cara de Mac. É um Macbook Pro com o Mac OS X 10.4, rodando o Parallels Desktop 3.0 com o Windows Vista Ultimate no modo “Coherence”. O Parallels cria uma “máquina virtual”, dentro da qual roda o sistema da Microsoft. Você pode configurar vários parâmetros dessa máquina, como RAM, espaço em disco, acesso a periféricos do Mac, etc. Rodando no modo coherence o desktop do Windows some, e as janelas dos programas de Windows se misturam às janelas dos programas para Mac no Desktop (você pode até minimizá-las para a Dock). A integração é bem completa: dá pra copiar e colar entre aplicativos, arrastar arquivos do Windows pro Mac, compartilhar área de transferência e mais.

Toda essa experiência é parte de uma matéria sobre formas de rodar o Windows e programas escritos para ele em um Mac Intel da forma mais fácil (e eficiente) possível, para que você possa ter o melhor dos dois mundos: a segurança, estabilidade e facilidade de uso do Mac OS X, aliada àqueles aplicativos essenciais que ainda só existem em versão Windows. Em breve nas bancas :)

Nokia faz recall de 46 milhões de baterias

A Nokia emitiu um comunicado alertando para um problema com 46 milhões de baterias modelo BL-5C, usadas em 52 modelos de telefones celulares, produzidas entre Novembro de 2005 e Novembro de 2006 pela Matsushita (Panasonic). A empresa alerta que sob “raras cinrcunstâncias” as baterias podem superaquecer e inchar, embora não haja perigo de explosão. Em 100 incidentes reportados , não houve nenhum caso de dano pessoal ou à propriedade.

Para saber se a bateria de seu celular é afetada, a Nokia disponibilizou um site com uma ferramenta de consulta. Basta digitar o número de série para obter uma resposta. Em caso positivo, a empresa realizará a troca gratuita da bateria defeituosa. A Nokia também colocou em operação um número de telefone, 0800 770 1282 (alternativas 4003-2525 e (11) 5681-3333) para esclarecer dúvidas dos consumidores.

Agora, só um recado para a Nokia: vocês insistem que isto não é um “recall”, mas apenas um “alerta ao consumidor”. Mas francamente, tem cara de pato, grasna como um pato e anda como pato, então é um pato. Ou recall. Vocês não tem do que se envergonhar, problemas acontecem com todo mundo, e estão fazendo a coisa certa ao comunicar os consumidores. O problema é que ao “diminuir” a importância do evento, é possível que consumidores não levem a sério ao problema, o que pode levar a mais incidentes com baterias no futuro. Pensem nisso.

A cidade dos eletrônicos

O Wall Street Journal tem um artigo muito interessante que mostra um pouco do tamanho e do modo de operação da Hon Hai (também conhecida como Foxconn), a gigantesca empresa chinesa que fabrica peças e produtos para alguns dos principais nomes em eletro-eletrônicos no mundo, como Apple (iPods e iPhones), Nokia (celulares e peças), Dell (peças), Sony (Playstation 2), Nintendo (Wii) e muitas outras.

A principal fábrica da empresa, conhecida como Longhua Science & Technology Park (parque de ciência e tecnologia de Longhua) é uma verdadeira mini-cidade, com bancos, dormitórios, academias, piscinas, lojas, restaurantes e áreas de lazer, que atualmente abriga 270 mil funcionários. Eles trabalham e moram na fábrica, em jornadas de seis dias semanais. O conceito pode parecer estranho para nós, mas é bastante comum na Ásia. Visitei uma fábrica da Samsung no Complexo Industrial de Gumi, perto de Daegu, na Coréia do Sul, que funcionava com o mesmo sistema.

Além disso, a empresa tem fábricas em vários outros países, inclusive no Brasil (em Manaus, onde produz peças para celulares). Atualmente a Hon Hai é a maior exportadora da China (e de alguns países onde está estabelecida, como a República Tcheca), onde tem 450 mil funcionários. E como esse império começou? Com um investimento de US$ 7.500, fabricando botões de plástico para seletores de canal em TVs preto-e-branco.

Google Pack agora inclui o Star Office

O Google Pack, pacote de aplicativos do Google que inclui Google Earth, Google Picasa, Google Desktop, Google Toolbar for IE, Google Photos Screen Saver, Norton Security Scan, Spyware Doctor Starter Edition, Mozilla Firefox, Adobe Reader, Skype e outros agora inclui também um novo programa. É o StarOffice 8.0, a versão “comercial” do OpenOffice.org produzida pela Sun Microsystems. O programa, que originalmente custa US$ 70,00, está disponível gratuitamente como parte do Google Pack.

As diferenças entre o StarOffice e o OpenOffice são poucas, entre elas a inclusão de mais plugins, fontes, cliparts, modelos e um sistema de banco de dados licenciado da Adabas, bem como de ferramentas para migração do Microsoft Office. Ainda assim, a iniciativa do Google de distribuir o produto da Sun é notável: a empresa já havia começado a “minar” a hegemonia do Microsoft Office com o Google Docs & Spreadsheets, seu office online. E o nome Google com certeza ajuda a dar credibilidade e visibilidade ao StarOffice. Agora só falta integrar as duas soluções (edite no StarOffice, salve no Google Docs) para causar um ataque cardíaco em Steve Ballmer e deixar a Microsoft bastante preocupada.

O download do StarOffice adiciona cerca de 140 MB ao tamanho do Google Pack tradicional. E quer saber onde encontrar esta maravilha? Basta clicar no primeiro banner da seção “Eu recomendo”, aqui do lado esquerdo.

Consertando um XBox 360 com… uma toalha!

Embora a Microsoft não admita em público, um dos maiores problemas sofridos pelos proprietários do Xbox 360 é o super-aquecimento. Mesmo em climas mais frios o console tem a tendência de “cozinhar” em banho maria, e um belo dia acaba morrendo, mostrando as “três luzes da morte” ao redor do botão de força quando é ligado.

E aí, pelo menos nos EUA, começa a Romaria: liga para a assistência, pede embalagem, empacota console, manda para a assistência, espera, recebe de volta… Aqui no Brasil, onde muitos consoles entram pelo mercado “informal”, as três luzes geralmente significam dinheiro jogado fora. Geralmente a resposta de uma “assistência” é “não tem conserto”. Ou quando tem é caro demais. Tenho vários amigos com um Xbox 360, e já vi quatro consoles morrerem com os mesmos sintomas. Um deles, aliás, morreu duas vezes, a segunda logo depois de voltar da assistência.

A Microsoft está silenciosamente corrigindo o problema: primeiro, começou a instalar heatsinks maiores dentro dos consoles (tato novos quanto reparados), para diminuir a temperatura. Depois, estendeu a garantia para três anos. E, em breve, começará a usar novas CPUs feitas com processo de 65 nm, geram menos calor. Mas só teremos certeza se isso resolve o problema daqui a pelo menos seis meses, quanto as modificações chegarem ao mercado em escala.

Até lá, um grupo de gamers engenhosos no site Cheap Ass Gamer desenvolveu uma solução temporária para o problema das três luzes que deixaria Douglas Adams (ou McGyver) muito orgulhoso: toalhas. Sim, daquelas de banho. A idéia é enrolar bem o console defeituoso, ligado, em várias toalhas, causando um super-aquecimento. Depois de 25 minutos na sauna, tire as toalhas, desligue o console e deixe-o assim até esfriar. Ligue e… tcharam! em muitos casos, ele volta à vida, e vai continuar funcionando por uns três ou quatro dias, segundo o site (você pode repetir a operação se ele der defeito de novo). Ainda não entendi qual o efeito da sauna, mas talvez ela consiga amolecer a solda (que tem ponto de fusão mais baixo que a normal) e restabelecer alguma conexão rompida (especula-se que essa seja, aliás, uma das causas das três luzes).

É como diz o guia: “Uma toalha é um dos objetos mais incrivelmente úteis para um mochileiro interestelar”

Comparação direta

Estou experimentando usar o novo Pages, parte do iWork 08, como meu editor de textos no dia-a-dia. Ele só salva os documentos em formato próprio, mas exporta em vários outros, como .DOC e PDF. Terminei um texto agora há pouco, salvei no formato do Pages e exportei para .DOC para enviar à redação. E aí, por curiosidade, resolvi comparar o tamanho dos arquivos.  Para a comparação ser justa, incluí mais dois outros formatos: .RTF e .TXT. O texto original tem 6.625 caracteres, contando espaços. Vejam como ficou:

  • TXT: 8 KB
  • RTF: 12 KB
  • DOC: 32 KB
  • Pages: 120 KB

Considerando que o texto tem formatação mínima (negrito, itálico e sublinhado), RTF era mais do que o suficiente para a tarefa. Ou seja, “desperdicei” 20 KB usando DOC, mas desperdicei muito mais (108K) usando o formato novo do Pages. Ainda bem que os discos rígidos são cada vez maiores :)

Ampliando imagens

Vou fazer um pequeno “experimento tecnológico” aqui no blog. Muitas vezes quero ilustrar um post ou notícia, mas não posso fazer isso adequadamente porque a largura do conteúdo na página limita bastante o tamanho das imagens que posso usar. Sem falar que não é nada educado encher a página com imagens enormes, coitado do leitor com conexão lenta.

Então instalei um plugin de wordpress (Thumbnail Viewer) para mostrar imagens grandes em “overlay” sobre a página principal. A partir de agora, sempre que quiserem ver uma imagem em tamanho maior basta dar um clique sobre ela: a versão ampliada aparece em uma “janela” sobre a página. Experimentem no post do iWork, logo abaixo, e se tiverem problemas ou sugestões deixem um comentário neste post.