O inusitado mundo da pirataria

Viajo muito, principalmente de ônibus, ao ponto de que posso sem muito exagero considerar o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, como minha segunda casa. E sempre que passo por lá, tenho um ritual: dar uma olhada nas lojinhas de eletrônicos no primeiro piso.

Elas podem ser consideradas uma verdadeira vitrine do mercado de entretenimento portátil nos últimos 20 anos. Lá você encontra de tudo, dos radinhos AM/FM mais simples aos “MP5″ mais “sofisticados”, passando por walkmans, discmans, MP3, MP4 e afins. Tudo, claro, de procedência duvidosa e qualidade mais ainda. Para dar mais “credibilidade” ao produto, os fabricantes emprestam logos e marcas a torto e a direito. Nem a Apple tem tantos modelos de iPod quanto a Sony. Pelo menos não no Tietê.

Tudo vem da China (surpresa!) e para driblar a má-fama que ronda os produtos produzidos neste país, a solução é esconder o nome. Alguns dizem “Made in P.R.C.” (People’s Republic of China), outros omitem qualquer menção ao país de origem na embalagem. A mais nova moda é dar uma de Apple[1], e assumir que o produto foi feito na China, mas “projetado” no Japão, ou que foi “feito com tecnologia japonesa”.

Infelizmente alguns fabricantes escorregam na hora do disfarce e acabam deixando o rabo de fora. Andando por lá na última sexta, tropecei em uma embalagem que dizia: BK ORIGINAL / WITH JAPAL TECHNOLOGY. Japal? Quem diria, não sabia que uma cidadezinha no Equador era um polo tecnológico de nível mundial. Vivendo e aprendendo!

[1] A traseira dos iPods diz: “Designed by Apple in California. Made in China”

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