Archive for March 10th, 2008

Sobre o MacBook Air

Duas notícias rapidinhas (e estranhas) sobre o MacBook Air que ouvi nesta semana.

» Um programador norte-americano chamado Michael Nygard foi barrado pela segurança e acabou perdendo seu vôo em um aeroporto (não identificado) nos EUA. O motivo? Um MacBook Air. Aparentemente a funcionária responsável pela máquina de Raios-X desconfiou da imagem do MacBook e chamou outro funcionário da segurança para investigar. Intrigados com o fato de que a máquina “não tem drive” e nem “portas na traseira”, além de ser fina demais, se recusavam a acreditar que era um notebook. Foi preciso um outro funcionário, mais jovem e “antenado” com o mundo da tecnologia, para explicar as coisas. Ainda assim, Michael só foi liberado depois de ligar o micro e rodar um programa. Até lá, o vôo já tinha saído faz tempo.

» Stephen Levy, responsável pelo caderno de tecnologia da revista norte-americana Newsweek, perdeu o MacBook Air que a Apple lhe emprestou para um review. Como, exatamente, ele ainda não sabe, mas recapitulando os fatos ele acredita que sua esposa jogou a máquina fora, junto com uma pilha de jornais velhos que estavam sobre a mesma mesa (ela nega). Do notebook sobrou apenas um carregador e uma conta de US$ 1.800, que vai ser paga pela revista. Nas palavras do próprio Stephen:

Por mais humilhante que possa ser, deixe-me repetir: o MacBook Air é tão fino que foi jogado fora junto com os jornais. [...] Este foi o primeiro MacBook Air a ser descartado por engano. Mas, aposto, não vai ser o último.

Sei mais ou menos como ele se sente. Há alguns anos, quando eu ainda era um universitário, minha mãe apareceu com uma pilha de papéis recolhidos do meu quarto, avisando que ia jogar tudo fora. Nem olhei direito e disse “tudo bem”. Daí ela resolve se certificar: “Vou jogar esse cartão de banco velho também, pode?”. Perai, cartão de banco? Não tenho cartão de banco velho… olhei e pulei da cadeira. Era o modem PCMCIA (56K, ainda por cima) que usava em meu notebook. Escapou por pouco, muito pouco!

Java no iPhone? Não tão cedo

Um dia depois da Apple lançar o kit de desenvolvimento (SDK) oficial para o iPhone, o vice-presidente de marketing de Java da Sun Microsystems, Eric Klein, disse que a empresa tem planos de criar uma versão de sua máquina virtual Java ME (Java Micro Edition) para o Smartphone da Apple.

A declaração é significativa: com uma máquina virtual Java, desenvolvedores poderiam contornar as restrições no desenvolvimento e distribuição de software impostas pela Apple, criar o tipo de aplicativos que quiserem e fazer a distribuição por conta própria, ficando com 100% dos lucros. Para a Apple, é uma má notícia.

Entretanto, parece que a Sun não leu com cuidado as letrinhas miúdas nos termos da licença da SDK. Um trecho diz:

“Um aplicativo não pode instalar ou rodar outro código executável por quaisquer meios, incluindo mas não limitado ao uso de uma arquitetura de plug-ins, chamadas a outros frameworks, outras APIs ou similares”.

Infelizmente, para a Sun, uma máquina virtual Java viola a primeira (rodar código executável), terceira (chamada a outros frameworks) e quarta (chamada a outras APIs) regras. Ou seja, mesmo que a empresa crie o software, a Apple pode se recusar a distribuí-la alegando violação dos termos da licença da SDK, que diz claramente que para ser distribuído via App Store…

“… um aplicativo precisa seguir o guia de interface humana e qualquer outra documentação fornecida pela Apple”.

Ou seja: a não ser que haja um acordo entre as duas empresas, uma máquina virtual Java para o iPhone não deve aparecer tão cedo. Em termos de qualidade do software, talvez seja uma boa idéia: isso força os desenvolvedores a tirar proveito das ferramentas, APIs e frameworks fornecidos pela Apple, o que resulta em aplicativos mais otimizados e que tiram melhor proveito do hardware.

Java ou não, os desenvolvedores parecem animados: a Gameloft, conhecida por seus vários jogos para celulares e outros aparelhos portáteis, comentou que pretende lançar 15 jogos para o iPhone até o fim do ano. John Carmack comentou em um post no Slashdot que a id Software também está interessada. E na demo durante a apresentação de Jobs, empresas sérias como Salesforce.com e Epocrates demonstraram seus softwares para o mercado corporativo e médico. Vem coisa boa por aí.