Mobo 3G: Quando o design estraga um produto

Visão geralQuando soube que a Positivo Informática estava lançando o Mobo 3G, esperava nada mais que um Mobo White (que por sua vez é uma versão nacional do conhecido MSI Wind) com um modem interno. Afinal, o Mobo White é uma boa máquina, com ótima autonomia de bateria (mais de 4 horas em vários testes) e bom desempenho. E diz o velho ditado: em time que está ganhando não se mexe. Certo?

Mas quando abri a embalagem do Mobo 3G 2060, tive uma surpresa: ele é bem diferente de seu irmão “menos conectado”. A começar pelo visual: ele ainda é branco, mas a tampa ganhou um acabamento translúcido, com um padrão de linhas como uma impressão digital visível sob o plástico. A metade inferior tem uma borda estreita em plástico preto, que até que dá um contraste legal. No geral ele não vai chamar a atenção por onde passar, mas não é feio.

Infelizmente, assim que abri a tampa da máquina as surpresas ficaram desagradáveis. O teclado é, vamos ser francos, horrendo. O Mobo White 1050 tinha teclas que, embora pequenas, seguiam o modelo de um teclado típico de notebook. Mas o Mobo 3G tem teclas completamente planas, com quase nenhum espaçamento entre elas e, o pior de tudo, retangulares. Digitar sem olhar para o teclado é impossível, e olhar dá a nítida sensação de que “tem coisa errada” (por causa do formato).

Não contentes em estragar o teclado… a Positivo também estragou o trackpad. O problema aqui são os botões: alguém teve a idéia de combiná-los com os indicadores de alimentação, bateria, Caps Lock, etc. Ou seja, temos uma fina “barra” abaixo do trackpad, cheia de LEDs. Além de poluída, os botões são muito duros, tornando seu uso bastante desagradável. A solução é arranjar um mouse externo ou, pelo menos, habilitar o recurso de “tap to click” (simular cliques com batidinhas dos dedos no trackpad) no painel de controle do Windows.

Por dentro, o Mobo 3G se parece com qualquer outro netbook no mercado, e o desempenho corresponde. Tem processador Intel Atom N270 de 1.6 GHz, 1 GB de RAM, HD de 160 GB, interface Wi-Fi 802.11b/g, webcam de 1.3 MP e o modem 3G integrado. O slot para o SIM Card da operadora fica atrás da bateria. O monitor de 10 polegadas tem resolução de 1024 x 600 pixels. A máquina é pesadinha, 1,4 quilos. O pacote de software é básico: inclui o Windows XP, BrOffice.org, um ano de acesso ao Dicionário Aurélio Online e algo que fez falta no Mobo original: uma licença de um ano do antivírus Kaspersky.

Faltou um item nos specs acima, não? A bateria. Pois é, ela é mais um ponto onde o Mobo 3G me desapontou: a duração média foi de três horas de uso típico. Isso, por si só, não é ruim: há netbooks por aí (como o LG X110) que duram muito menos. O problema é que a autonomia desaponta em comparação com o Mobo White 1050, que teve média de impressionantes quatro horas e meia. Ou seja, um retrocesso. E infelizmente não dá pra colocar a culpa no modem 3G, já que ele estava desligado durante o teste de bateria.

Falando em 3G, esta parte agradou bastante: a máquina veio com um SIM Card da Vivo pré-instalado, e a conexão é feita usando um utilitário incluso com a máquina: bastam alguns cliques e você está online. O teste foi feito na região do Itaim, em São Paulo, e consegui velocidades de download além dos 300 K/s. É só pegar um plano de dados ilimitado e ser feliz. Seus resultados, claro, podem variar de acordo com a cobertura da operadora em sua região.

Se o único “defeito” do Mobo 3G fosse a bateria, não teria problemas em recomendá-lo. É no geral uma boa máquina, e seu preço de R$ 1.699, embora pareça salgado, é bem próximo do de máquinas menos equipadas como o Dell Mini 9. Mas o teclado e o trackpad realmente complicam as coisas, já que são fundamentais para a principal atividade de um netbook: navegar na internet, postar em blogs, escrever e-mails e por aí vai.

Minha recomendação? Se você se interessou pelo Mobo 3G, compre um Mobo White 1080, que oficialmente custa R$ 100 a menos (mas pode ser ainda mais barato), e adicione um modem 3G à parte ou use seu celular como modem. Você vai se sentir mais satisfeito.


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