E a Google entra no mercado de… videogames!

Com o anúncio da plataforma Android TV nesta quarta-feira, podemos dizer que a Google está entrando oficialmente no mercado de consoles de videogame. Duvida? Observem as fotos neste hands-on do The Verge: os jogos não só tem um espaço dedicado na tela inicial do sistema, como há um gamepad oficial, aliás muito parecido com o Xbox 360, com alavancas analógicas, direcionais, botões de ação e gatilhos.

A Gameloft (que nunca perde uma chance, onde quer que seja) já anunciou nove jogos otimizados para a plataforma, e não duvide de que outros desenvolvedores seguirão em breve. Se eu fosse a Sony, Nintendo ou Microsoft, ficaria de olhos MUITO abertos: se “pegar”, a Android TV tem o potencial para fazer no mercado de consoles um estrago similar ao que os smartphones fizeram no de portáteis.

Sim, eu sei, parece que estou exagerando. Afinal a Android TV não é o primeiro “console” Android (vide Ouya, Gamestick, NVIDIA Shield, Fire TV e muitos outros), e nenhum deles fez muito sucesso. Mas nenhum deles era desenvolvido pela Google, uma empresa com recursos e renome suficientes para atrair a atenção dos grandes desenvolvedores. Se um executivo da “Gamestick” tenta estabelecer uma parceria com a EA, dá com a cara na porta. Mas se for um executivo da Google, é ouvido em uma reunião de duas horas em uma bela sala e com cafezinho.

Sem falar que a Google tem uma imensa “rede de distribuição” (a Google Play Store) para os jogos, uma audiência global e oferece possibilidades de negócios interessantes. Já imaginou comprar “Asphalt 9” no smartphone e poder jogar também na TV? Ou o filme Need for Speed na Play Filmes e ganhar um descontão no jogo?

Não discordo de que ninguém deixaria de comprar um PlayStation 4 para comprar uma Android TV, mas esses são os gamers que sabem o que estão procurando. E para cada um deles há 99 outras pessoas que só querem trocar a TV ou uma forma fácil de assistir Netflix, e ficarão muito felizes em saber que também dá pra jogar Candy Crush e Angry Birds no mesmo aparelho. Em vez de brigar pelo mesmo nicho que a Sony, Microsoft e Nintendo, a Google simplesmente está de olho em um público maior.

A “experiência” de um jogo em um console, em contraste ao estilo mais casual dos jogos em smartphones e tablets, virá com o tempo. E uma potencial diferença na qualidade gráfica logo não será problema: já viram esta demo da Unreal Engine 4 rodando em um processador Nvidia Tegra K1?

Só me surpreendo em ver que a Google abraçou esta idéia antes da Apple. Já em 2009 eu acreditava que a Apple seria a primeira a tentar esta jogada integrando jogos à Apple TV, mas isso ainda não existe. Vivendo e aprendendo…