O que há de realmente importante no “Android L”?

Usar sobremesas como codinome das versões do Android é uma tradição da Google, tanto que até os consumidores adotaram a prática: é mais fácil ouvir alguém perguntando se um smartphone “roda o KitKat” do que se “roda o Android 4.4”. Foi por isso que estranhei quando a Google apresentou nesta quarta-feira uma nova versão do Android (5.0) chamada Android L [1].

Também estranhei o fato dela estar disponível inicialmente como um preview para os desenvolvedores, e só mais tarde (“no outono” no hemisfério norte, ou seja, entre setembro e dezembro) para os consumidores. Talvez isso esteja acontecendo porque o Android L será a base para nada menos do que quatro plataformas de hardware diferentes (smartphones e tablets, TVs, wearables e carros), e a Google quer se certificar de que os desenvolvedores terão tempo de preparar e testar seus apps em cada uma delas.

AndroidL_Preview-500px

Fonte: Google

Para o usuário creio a principal mudança será a nova identidade visual, batizada pela Google de “Material Design” e que também será usada nos produtos da empresa na web. Não é nada radical, é uma evolução do design já usado em apps como o Google Now e Google +, com cores vibrantes, tipografia elegante e animações que fazem a interface parecer “viva”. Tudo muito bonito. A Google tem um página com os detalhes, um vídeo de demonstração e informações para os desenvolvedores.

E um recurso importante, porém menos visível, é a mudança no “runtime”. Os apps Android são interpretados e executados por uma “máquina virtual” baseada em Java chamada Dalvik e a Google a está substituindo por uma nova chamada ART (Android RunTime). Nada muda para os usuários exceto pelo fato de que, graças a ela, no Android 5.0 os apps poderão rodar até duas vezes mais rápido (em relação ao 4.4 no mesmo aparelho) sem que os desenvolvedores tenham de modificar uma vírgula em seus apps. É tudo automático. Isso me lembra de quando a Dalvik ganhou um compilador JIT (Just in Time) no Android 2.3, levando também a um salto de desempenho imediato na execução dos apps.

Claro que há muitas outras mudanças no Android L, mas elas interessam mais aos desenvolvedores (segundo a Google são “5 mil novas APIs”) ou tem menor impacto junto aos usuários. Entre elas um novo sistema de notificações, integração com wearables para segurança (o smartphone pode ser desbloqueado sem senha se você estiver usando um smartwatch, por exemplo) e integração de apps entre os resultados de uma busca. Opa, tem mais um realmente útil: “Factory Reset Protection”, que servirá para impedir que um smartphone perdido ou roubado seja “zerado” e reutilizado sem autorização do proprietário. A Apple já implementou algo similar no iOS 7, e a Microsoft no Windows Phone 8.1

E quando isso tudo chega ao seu smartphone? Se você tem um Nexus 5, 7 (modelo 2013) ou 10, estimo que em Outubro. Se não, recomendo esperar sentado. Afinal, são os fabricantes os responsáveis pelo desenvolvimento e atualização do sistema de seus aparelhos. E com a exceção da Motorola (pós-Google) poucos se conscientizaram da importância (para os consumidores) de atualizar rapidamente seus produtos.

[1] Rumores antes da Google I/O indicavam que entre os possíveis codinomes para o Android 5.0 estariam Lollipop (Pirulito) e Liquorice (Alcaçuz). Será que a Google entrou em dieta?