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Conceitos que gostaria de ver no mercado

A Intel inaugurou hoje sua segunda Semana da Mobilidade fazendo o anúncio oficial da nova plataforma Centrino Duo (também conhecida pelo codinome “Santa Rosa”) no Brasil. Nada muito diferente do que já havia sido anunciado, exceto pela presença de muitos fabricantes nacionais mostrando produtos com esta plataforma: Itautec, CCE, Positivo, STI (Semp -Toshiba Informática), Megaware, Sony… eram vários os modelos, todos bastante interessantes.

Mas o que eu achei mais interessante não foi um produto, mas um conceito. Um laptop (que já existe faz um tempinho, avisa o amigo Mario Nagano) com uma tela “basculante”. Explico: a tela pode ser puxada e trazida para a frente, sobre o teclado, fazendo com que a máquina ocupe menos espaço. Isso lhe valeu o apelido de “o laptop da classe econômica”. E pelo pouco que brinquei com ele concordo, seria ideal para longas e apertadas viagens de avião. Vejam a foto e video (desculpem o vídeo escuro, mas foi o melhor que consegui):

Estranho à primeira vista, mas muito prático

Laptop "basculante"

Interessante também o “brinquedinho” na saída do local do evento. Um Hummer Militar, com blindagem nível 5, todo “pintado” com logos e slogans da Intel. As fotos dão uma idéia, mas acreditem quando eu digo: aquilo é grande, muito grande!

Um Hummer Militar. Schwarzenegger tem um, e a Intel também.

As novidades da Apple na WWDC

Começou a tradicional palestra de Steve Jobs na WWDC, a conferência mundial de desenvolvedores Apple. Durante duas horas ele fará sua tradicional apresentação comentando o estado atual da plataforma Mac e anunciando novos produtos e tecnologias que chegarão ao mercado em breve. Como de costume, estou acompanhando o evento, através de um dos muitos sites que provêm transcrições ao vivo, e postarei aqui as novidades.

Jogos

Com os processadores Intel, fica mais fácil para os desenvolvedores portarem jogos de PC para o Mac, e o início da palestra foi exatamente sobre isso. O chefe de criação da Electronic Arts, Bing Gordon, compareceu ao palco para demonstrar alguns jogos da EA que chegam ao Mac em Julho: Need for Speed Carbon, Command & Conquer 3, Battlefield 2142 e Harry Potter e a Ordem da Fênix. John Carmack, cérebro por trás dos sucessos da id Software, também apareceu para demonstrar uma nova tecnologia de texturização para criação de mundos virtuais ainda mais detalhados e deixou todos com água na boca. “Mostraremos mais na E3″, disse Carmack.

Leopard

21 meses após o Mac OS X 10.4 “Tiger”, a versão 10.5 “Leopard” será lançada trazendo mais de 300 novos recursos. A Dock tem um novo visual, mais “3D”, e os menus são translúcidos. Um recurso chamado Stacks (Pilhas) permite organizar facilmente grupos de documentos relacionados. Ao passar o mouse sobre uma Stack ela se abre, para que você possa escolher um de seus itens. O documento mais recente está sempre “à frente” da pilha, e uma pilha padrão estará sempre presente no desktop: Downloads. É de se presumir que este recurso faz uso pesado de metadados para identificar e agrupar itens relacionados.

E Habemus Finder! O bom e velho companheiro que gerencia nossos arquivos e desktops desde 1984 está aprendendo novos truques. O primeiro deles é o CoverFlow, que funciona como no iTunes. Parece ser muito útil para navegar entre pastas com muitas imagens, por exemplo. A Sidebar tem um campo de busca embutido, com “buscas inteligentes” pré-definidas, que podem ser personalizadas ou redefinidas pelo usuário. Com um clique, por exemplo, você pode ver só os documentos criados hoje. Ela também serve como ponto de partida para encontrar itens compartilhados na rede, nada mais de ficar caçando aquela pasta pública no “Connect to Server”.

Quick Look: conforme rumores, é uma nova forma de ver um preview em tempo real de seus documentos, sem ter que abrir o aplicativo que os criou. Funciona com os principais tipos de arquivo, e desenvolvedores poderão criar plugins para adicionar suporte a formatos futuros. Os previews podem ser em uma janela pop-up ou em tela cheia, e é possível até tocar vídeos.

64 Bits: Segundo Steve Jobs, o Leopard é o primeiro sistema operacional popular a ser 64 Bits “de cima a baixo”, em uma demonstração, Jobs abriu uma imagem de 4 GB em um aplicativo com duas versões: 32 e 64 Bits. A versão de 64 Bits completou a operação em 28 segundos, a de 32 Bits, que não conseguia manter todo o arquivo na memória de uma vez só, levou 81 segundos.

Core Animation: A nova API permite animações e interatividiade em um nível jamais visto. Demonstração do comercial da Apple TV (com a “onda” composta por milhares de filmes passando) rodando ao vivo e de forma interativa.

Boot Camp: Tenha o melhor dos dois mundos. Este recurso (já em Beta para usuários de Macs Intel) permite rodar o Windows XP ou Vista em seu Mac com velocidade nativa. Mas nada de integração com o Mac OS, como no Parallels. Pelo visto ainda é preciso reiniciar o micro para trocar de sistema operacional.

Dashboard: As widgets são um sucesso, desde o lançamento do Leopard mais de 3 mil delas foram criadas pelos usuários e pequenos desenvolvedores. Jobs demonstrou algumas novas widgets, como uma que permite a consulta de horários e compra de ingressos de cinema nos EUA, e a WebClip, que permite “recortar” um pedaço de qualquer página Web e transformá-la num Widget instantâneamente. Não foi confirmado, mas provavelmente o Leopard virá com a versão final do Dashcode, software da Apple para facilitar a criação de widgets.

iChat: O cliente de mensagens instantâneas da Apple terá um novo codec para videoconferência com baixa latência (chamado AAC-Low Delay), e ganha um recurso popular em praticamente todos os outros programas do gênero: a habilidade de organizar várias conversas em uma única janela com abas. Outro recurso interessante é o iChat Theater, que permite mostrar a seu interlocutor imagens e documentos armazenados em seu Mac. Não se trata de transferência de arquivos, é mais como segurar um papel em frente à câmera. É possível mostrar qualquer tipo de arquivo suportado pelo Quick Look, como imagens, arquivos PDF, planilhas do Excel e até filmes. Já os Photobooth Effects são um conjunto de efeitos especiais aplicados à imagem, como “visão térmica”, distorções e outros. É posswível até mesmo mudar o fundo da sua imagem usando os “Backdrops”. Com um clique é possível sair de seu quarto e aparecer em frente à Times Square em Nova Iorque, ou no fundo do oceano entre um cardume de peixes.

Time Machine: O sistema de backup automático de dados do Leopard também ganhou tempo no palco. Sem muitas novidades aqui: a configuração é simples (bastam alguns cliques) e seus dados são constantemente salvos, seja em um disco rígido externo conectado ao seu Mac, ou um volume compartilhado em rede. Quando for necessário recuperar um arquivo, basta usar o Spotlight para fazer uma busca e “voltar no tempo” até encontrar o que procura. Quem tem muitos Macs em rede vai gostar de saber que é possível usar um único disco rígido externo conectado a uma base Airport Extreme para fazer o backup de vários Macs.

Preço e Data de Lançamento: Em Outubro, a US$ 129,00. Jobs faz piada com as múltiplas versões do Windows Vista: “Leopard Basic vai custar US$ 129. O Premium, US$ 129. Bussiness… US$ 129, Enterprise US$ 129 e Ultimate, US$129. É tudo a mesma coisa, mas a maioria das pessoas vai comprar o Ultimate”.

One Last Thing… Safari para Windows!: O navegador padrão do Mac OS X está ganhando uma versão para Windows. Segundo Steve Jobs, há 18 milhões de usuários do Safari, e está na hora de aumentar o market share. O CEO da Apple mostrou os resultados de testes de desempenho, que mostram que o Safari é mais de 2 vezes mais rápido que o Internet Explorer no processamento de páginas em HTML e JavaScript, e mais rápido que o Mozilla Firefox. Um beta público estará disponível para download, a partir de hoje, em www.apple.com/safari.

iPhone

O revolucionário telefone da Apple tem data e hora de lançamento: 29 de Junho de 2007, às 6 da tarde (Horário do Pacífico, EUA). A Apple encontrou um meio termo entre o desejo de manter o iPhone “fechado” e o clamor de quem quer desenvolver aplicativos para o aparelho: quem quiser, poderá desenvolver para o iPhone usando AJAX, no melhor estilo Web 2.0. Se seu site/web-app funciona no Safari, vai funcionar no iPhone (isso explica o Safari para Windows). Com isso você ganha uma forma de distribuição imediata de seu software, atualizações automáticas e todos os outros benefícios do mundo online. Os programs podem ter o “look & feel” do iPhone, e acessar e-mails, usar o Google Maps, fazer chamadas e muito mais.

E assim terminou mais uma palestra de Steve Jobs na WWDC. Como de costume, alguns rumores (como novas versões do iLife e iWork, novos iMacs, iPhone@Home) não se concretizaram, e a Apple focou mais no OS X e iPhone. Ainda assim, foi suficiente para deixar muita gente com água na boca. O site da Apple deve ser atualizado com as novidades em breve, fiquem de olho!

Google Street View

OK, eu comi bola nessa. Deixei de comentar sobre o recurso mais interessante que o Google mostrou ontem, o Street View. Talvez porque ele tenha sido mostrado só rapidamente durante a palestra do Maps, e quando cheguei em casa para fuçar o site não encontrei referência a ele na interface. Mas ele está lá, é só saber onde procurar, nesse caso em San Francisco, Nova Iorque, Las Vegas, Washington e Denver.

A idéia é MUITO interessante. Em qualquer uma destas cidades, aproxime o zoom o suficiente para ver o mapa das ruas. Você notará que algumas delas tem uma borda azul. Clique no botão Street View no canto superior direito do mapa e o ícone de um bonequinho amarelo aparecerá no mapa. Arraste o bonequinho pra qualquer uma das ruas em azul e pronto! Você pode ver uma foto da rua, como se estivesse lá.

Na verdade, você não vê só uma foto da rua. O que o site mostra é um panorama VR em 360 graus, e há opção de vários níveis de zoom, o suficiente para ler placas nas calçadas. A qualidade das imagens varia um pouco, mas no geral é muito boa (as melhores estão em San Francisco). Elas são capturadas por uma van do próprio Google carregada com equipamento especializado.

Em breve este recurso também estará disponível em outras cidades, mas não dá pra especular quando poderemos passear por uma São Paulo virtual sem sair da cadeira. Estimo que o Google vá focar em primeiro fotografar as principais cidades dos EUA, depois as grandes capitais mundiais, e só depois o resto do mundo.

O engraçado é que já tem gente reclamando do serviço. Por exemplo, uma matéria na seção de tecnologia do New York Times informa que uma moradora de um prédio em Oakland, na Califórnia, está pedindo ao Google que retire do serviço uma foto da fachada de seu prédio. Motivo? Dá pra ver o gato dela na foto, o que ela considera como “invasão de privacidade”. “O próximo passo é fotografar os livros na minha estante”, diz Mary Kalin-Casey, dona do gato.

Na verdade o Google não está fazendo nada de errado. As fotos foram tiradas em via pública, e mostram apenas o que qualquer pedestre ou motorista passando pelo local naquele momento veria. Não quer ser fotografada? Feche as janelas. Pessoas eternamente insatisfeitas e paranóicas estão em todo canto.

E enquanto alguns reclamam, outros se divertem. Uma página na Wired convida as pessoas a postarem links para as imagens mais interessantes (ou curiosas) encontradas no Google Maps e votarem em suas favoritas. Tem de tudo, de moças desinibidas tomando sol de biquini em um gramado ao que parece um “laser” queimando o chão e deixando um rastro de fumaça. Quem será o primeiro a encontrar o Elvis? :P

Google Developer Day 2007

O Google realizou hoje em 10 cidades em todo o mundo, incluindo São Paulo, o Google Developer Day, evento para aos desenvolvedores web visando mostrar como integrar os serviços do Google, alcançar novos usuários e construir uma “nova geração” de aplicativos Web usando as várias ferramentas e APIs fornecidas pela empresa.

São Paulo foi a única cidade da América Latina a receber o evento, com público local estimado em cerca de 400 pessoas que se reuniram no prédio da Câmara Americana do Comércio (AMCHAM) para um dia cheio de palestras sobre AJAX, AdWords, Google Maps, Google Earth, Google Web Toolkit, Gadgets e muito mais.

Uma das novidades do dia foi o anúncio do Google Mashup Editor, uma ferramenta para facilitar a criação de “mashups”, ou seja, uma “mistureba” de dados e recursos dos vários serviços oferecidos pelo Google em um novo serviço. Totalmente online, a ferramenta (ainda em beta, surpresa!) oferece realce da sintaxe de seu código, auto-completar de tags, acesso rápido à documentação das APIs usadas em seu projeto, validação de código e notificação de erros, um utilitário para upload e gerenciamento de arquivos e um ambiente para testes.

Outro produto anunciado foram os Google Mapplets: mini-aplicativos (como os já populares Google Gadgets) integrados ao Google Maps. Assim como nos Gadgets, os mapplets são “mini-páginas web” que podem conter código HTML, JavaScript, Flash e interagir com um mapa, sobrepondo dados ou reagindo a ações do usuário. As possibilidades de uso são muitas, desde a criação de uma simples ferramenta de medição da distância entre dois pontos a sistemas de busca por imóveis disponíveis para locação. No momento, os Mapplets só estão disponíveis em um preview para desenvolvedores de uma nova versão do Google Maps, em maps.google.com/preview.

A palestra sobre o Google Maps foi bastante concorrida Não há como fugir das câmeras.

Mais informações sobre estas e outras ferramentas estão disponíveis no site para desenvolvedores do Google, em code.google.com. E como não poderia deixar de ser em uma empresa calcada na Internet, o Google Developer Day foi amplamente documentado na web. Fotos, vídeos e transcrições das palestras em todas as cidades podem ser encontradas no blog oficial do evento.

Mantendo seu nerd feliz

Uma amiga postou recentemente em seu blog um artigo chamado “coisas que nerds precisam para amar seu emprego“. É basicamente um guia sobre como manter seus nerds felizes e produtivos. Não pude deixar de pensar neste texto no primeiro dia do Novell Brainshare 2007, ao ver algumas das amenidades que a Novell providenciou para o conforto dos milhares de participantes.

Espalhadas por todo o evento estão barraquinhas como esta, com frutas (basicamente maçãs e bananas) frescas à vontade e gratuitas. Outros stands similares oferecem café (que no geral em Utah costuma ser intragável, mas no Brainshare é “bebível”), uma variedade de chás, refrigerantes, sucos e salgadinhos à vontade. Um gigantesco refeitório serve milhares de refeições no café da manhã e almoço diariamente. E, se o visitante quiser dar um tempo entre as palestras técnicas, ainda há as opções de entretenimento.

Em um canto do pavilhão há três mesas de sinuca, uma pequena LAN House (com várias pessoas disputando animadas partidas de jogos de tiro e World of Warcraft), um mini-cinema com filmes como Cassino Royale e Piratas do Caribe 2 e cadeiras de massagem, para aliviar o stress. Além disso, uma lojinha vende todo o tipo de bugigangas que os nerds adoram, de camisetas e xícaras de café gigantes a chaveirinhos detectores de Wi-Fi, tudo devidamente adornado com o logo da Novell. Para completar, a empresa providenciou um show com a banda Goo Goo Dolls na quarta-feira, para animar os participantes. A conexão à internet é garantida e gratuita, com uma rede wi-fi de alta velocidade que cobre todo o pavilhão.

A Renata estava certa. Os nerds daqui me parecem bastante contentes.

GNUs vs. Geekos

Enquanto a Novell comemorava sua parceria com a Microsoft e mostrava seus produtos e serviços em um grandioso evento no Salt Lake City Center em Salt Lake City, Utah, um pequeno grupo de jornalistas literalmente atravessou a rua na hora do almoço em direção a uma sala de reuniões no hotel Shiloh Inn para ouvir o que Bruce Perens, um dos expoentes da comunidade do software livre e autor da Open Source Definition, tinha a dizer sobre o assunto.

O evento começou com a seguinte declaração de Richard Stallman, enviada por e-mail e lida por Bruce Perens:

Free software means software that respects users essential freedoms, including the freedom to change the software so it does what you wish, freedom to run it, and freedom to redistribute copies. The denial of these freedoms is what makes proprietary software unethical. To make these freedoms a reality, we set out 23 years ago to develop the GNU operating system, which is the basis of all today’s “Linux” distributions, including that of Novell.

In 1983, a few free programs existed, and unscrupulous middleman eagerly took them and made non-free modified versions. It was clear that to deliver freedom to every user we would have to find a way to defend the users’ freedom. The method we developed is the GNU General Public License. The purpose of the GNU GPL is to ensure that redistributors of the program respect the freedom of those further downstream. The GPL defends the freedom of all users by blocking the known methods of making free software proprietary.

Novell and Microsoft have tried a new method: using Microsoft’s patents to give an advantage to Novell customers only. If they get away with scaring users into paying Novell, they will deny users the most basic freedom, freedom zero: the freedom to run the program.

Microsoft have been threatening free software with software patents for many years, but without a partner in our community, the only thing it could do was threaten to sue users and distributors. This had enough drawbacks that Microsoft has not yet tried it. Attacking in combination with a collaborator in our community was much more attractive.

If nothing resists such deals, they will spread, and make a mockery of the freedom of free software. So we have decided to update the GNU General Public License not to allow such deals, for the future software releases covered by GPL version 3. Anyone making a discriminatory patent pledge in connection with distribution of GPL-covered software will have to extend it to everyone.

In the mean time, let’s make it clear to Novell that its conduct is not the conduct of a bona-fide member of the GNU/Linux community.

Segundo Bruce, a comunidade não é contra a parte técnica do acordo entre Novell e Microsoft, que prevê colaboração no desenvolvimento de tecnologias que facilitem a interoperabilidade entre as plataformas das duas empresas, como suporte a virtualização do Windows Longhorn Server no Xen e filtros de importação/exportação de documentos do Office 2007 no OpenOffice.org. Toda esta tecnologia está sendo devolvida à comunidade, sob as licenças originais. A “bronca” é quanto a parte do acordo relativa às patentes de software.

Perens diz que atualmente é impossível, nos EUA, desenvolver um programa sem infringir ao menos algumas patentes de software, já que muitos dos processos e algoritmos essenciais foram patenteados de uma forma ou outra. Há empresas especializadas na fiscalização destas patentes e coleta dos royalties relacionados. Um processo por infração contra uma pequena empresa pode ser um golpe fatal, ou incapacitá-la por tempo suficiente para que a concorrência ganhe vantagem no mercado. Sob os termos do acordo, Novell e Microsoft ofereceriam a seus clientes proteção contra este tipo de processo, caso algum tipo de infração seja levantada contra seu software.

É algo similar ao que aconteceu alguns anos atrás quando a SCO, incapaz de conseguir dinheiro da IBM com seu processo por “plágio” de código de seu Unix no AIX e Linux, foi atrás dos usuários do sistema operacional exigindo o pagamento de “licenças” pelo uso de seu código. Algumas empresas menores e menos informadas pagaram por tais licenças. Mas a IBM entrou em cena, assegurando que protegeria seus clientes de uma potencial ação judicial. Sob os termos do acordo, Novell e Microsoft fariam a mesma coisa.

Isso é visto como uma “taxa de proteção”, similar à tática usada pelo crime organizado para extorquir dinheiro de pequenos comerciantes: “Puxa, seu mercadinho é muito legal. Seria uma pena se uma bomba estourasse aqui dentro em pleno pico de movimento. Mas se você me pagar uma taxa eu posso te proteger…”. Bruce defende a idéia de que, em vez de vender proteção, a Novell deveria se juntar à comunidade na luta pelo fim das patentes de software, eliminando o problema dos processos espúrios de uma vez por todas e beneficiando a todos.

Embora o acordo entre a Novell e a Microsoft seja perfeitamente legal sob os termos de versão 2 da GPL, licença que governa a distribuição da maior parte do software que compõe o SUSE Linux Enterprise Desktop e Server, Bruce informa que o comitê que está elaborando a versão 3 da licença (do qual a Novell faz parte) pretende incluir uma cláusula que proibiria a redistribuição do software por empresas que ingressam neste tipo de acordo em detrimento ao bem-estar e interesses da comunidade em geral. Isso impediria a Novell de redistribuir componentes críticos de suas soluções Linux.

Claro, isso considerando que todos os softwares que fazem parte do SUSE Linux Enterprise adotassem a GPL 3, o que é um cenário bastante otimista. O próprio Linus Torvalds, por exemplo, já declarou que pretende continuar usando a GPL 2 como a licença do kernel Linux. Entretanto a FSF ainda tem poder de barganha, já que controla dois componentes vitais de qualquer distribuição Linux: o compilador C (GCC) e a biblioteca padrão do sistema, libc. Com a nova cláusula a Novell não teria acesso a novas versões destes componentes, e teria duas opções: criar um “fork” e manter suas próprias versões, investindo grandes somas no processo, ou repensar seu acordo com a Microsoft e mudar de estratégia para sobreviver.

Acompanhe a íntegra da apresentação de Bruce Perens, chamada “Raining on Novell’s Parade” (algo como “Estragando a Festa da Novell”). São 40Mb em MP3, com cerca de 44 minutos de duração.

Do conceito ao produto

Agora que o Windows Vista está nas ruas (vejam a cobertura do início das vendas ontem à noite no blog do Henrique Martin), é uma boa hora para comparar a evolução do produto. Dêem uma olhada neste vídeo, de 2003, mostrando um conceito do novo sistema. Apesar de ser muito provavelmente um mock-up em After Effects, ele mostra o que a MS tinha em mente, pelo menos na interface: muito mais ênfase em multimídia, transições e efeitos 3D. Destaque para a data no final do vídeo (“Coming October 2003″) e os mugidos ao fundo :) .

Macworld 2007

Começou em San Francisco a MacWorld 2007. Macmaníacos e empresas se aglomeram no Moscone Center para ver e mostrar o que há de novo em hardware e software para a plataforma Apple. A tradicional palestra de abertura (que já está rolando) é de Steve Jobs, e neste ano a expectativa é grande quanto ao anúncio de novos produtos como o iTV e o tão falado celular da Apple (ex-iPhone). Como sempre, estou acompanhando o evento em “tempo quase real”. Vejam abaixo os principais destaques:

  • Novo parceiro para a iTunes Store. Depois de ver a Disney vender 1.3 milhão de filmes via iTunes em 4 meses, a Paramount Pictures decidiu se juntar à Apple e colocar suas obras para download. No total, o acervo da iTunes Store agora conta com 250 títulos. Espere outras produtoras para breve, quando uma sente o cheiro da grana, todas correm atrás.
  • iTV. O novo nome da set-top-box da Apple pelo jeito é Apple TV, e ela é equipada com um processador Intel, 40 GB de HD e rede wireless nos padrões 802.11b (11 Mb/s), 802.11g (54Mb/s) e 802.11n (600 Mb/s). Claro, também há portas ethernet, USB 2 e HDMI. O vídeo é em alta definição (720p) e é possível sincronizar material (vídeo, fotos e músicas) com um micro (Mac ou PC) e transmití-lo para até outros 5 via iTunes. Também é possível assistir via “streaming” da Internet (por exemplo, trailers de filmes no site da Apple). US$ 299,00, nas lojas em fevereiro, mas já é possível encomendar a sua a partir de hoje no site da Apple.
iPhone, o tudo-em-um da Apple.
  • Revolução. Três novos produtos hoje: iPod com vídeo e tela sensível ao toque, telefone celular e dispositivo para acesso a internet. Mas os três em um só. O iPhone (sim, é esse mesmo o nome) tem uma tela de 3.5 polegadas sensível ao toque e com resolução de 160 dpi. A interface é absolutamente espartana, há apenas um botão na frente, e a tela é a interface com o usuário. Não há “stylus” (as clássicas canetinhas dos PDAs), a interação é feita usando os dedos. A tela é capaz de reconhecer múltiplos toques, e ignorar gestos acidentais. E, incrivelmente, roda o Mac OS X. A sincronia com o computador é feita através de um dock, como no iPod, e o iTunes transfere músicas, vídeos, fotos, mensagens, contatos, notas, bookmarks, calendários e tudo o mais para o aparelho. O telefone é GSM (há um slot para SIM Cards) e há uma câmera digital de 2 MP na traseira do aparelho. 4 ou 8 GB de memória (Flash) para vídeos, músicas e dados. Três sensores controlam a operação. Um sensor de proximidade pausa a música e desliga e a tela quando você aproxima o iPhone da orelha. Um sensor de luminosidade regula o brilho da tela de acordo com o ambiente, economizando bateria, e um acelerômetro “liga” o aparelho quando ele é manuseado, e permite rotacionar a tela automaticamente, basta girar o iPhone. Comunicação é o forte, ele tem Bluetooth, Wi-Fi e GSM Quad-Band. Parceria com Yahoo! e Google para conteúdo: Google Maps, Yahoo! Mail, ambos os buscadores inclusos. US$ 499 (4 GB) ou US$ 599 (8 GB) com um contrato de 2 anos com a Cingular, operadora de telefonia que é parceira exclusiva da Apple nos EUA, nas lojas da Apple e Cingular em Junho. Deve chegar na Europa no fim do ano, e na Ásia em 2008.
  • Mudança de nome. iPod, Apple TV, iPhone… os computadores não são mais o único foco da Apple. Portanto, o nome da empresa muda, sutilmente. De Apple Computer, inc. ela passa a se chamar Apple, inc.

A página da Apple já foi atualizada com as novidades, incluindo um link para o vídeo da palestra e demos do iPhone. Interessante notar que não houve nenhuma menção ao Mac OS X Leopard (uma demo era dada quase como certa), nem a updates dos pacotes de aplicativos iWork e iLife. Será que vem algum “evento especial de software” por aí?

Outra curiosidade… como a Apple pode usar o nome iPhone para seu produto, se a Cisco anunciou recentemente um produto com o mesmo nome? Será que rolou um acordo?

Terceiro Dia – Gumi Complex

Post atrasado, mas antes tarde do que nunca. Na quinta-feira tínhamos programada uma visita à fábrica da Samsung no complexo industrial de Gumi, a cerca de 350 Km de Seoul. O primeiro passo era chegar lá, e o meio mais rápido é o trem. Mas não um trem comum, um trem bala. Para ser mais preciso um KTX, a versão coreana do TGV francês. A viagem até a estação de Daegu, próxima a Seoul, demorou cerca de 2 horas, e a velocidade máxima atingida durante o trajeto foi de 300 Km/h nas retas. Em teoria, o trem chega até aos 350 Km/h. Chegando a Daegu, pausa para o almoço em um restaurante típico coreano. De barriga cheia, todos para o ônibus, mais meia hora de Daegu a Gumi.

Infelizmente, fotos são proibidas dentro da fábrica da Samsung. Na verdade fábricas, já que são duas, onde trabalham cerca de 12 mil funcionários. A fábrica 1 produz equipamento de telecomunicações, discos rígidos e sistemas para a indústria de defesa, e a 2, que visitamos, produz telefones celulares. 6 mil dos funcionários moram em dormitórios da Samsung, e tem acesso a benefícios como academia, cinema, convênios com universidades, planos de saúde, uma cafeteria gigantesca, etc.Uma curiosidade é que apenas funcionários solteiros podem residir nos dormitórios. Se pintar uma relação, o casal é remanejado de modo a não trabalhar no mesmo prédio/andar/linha de montagem. Se houver casamento, eles terão que achar um apartamento só para eles.

Voltando à fábrica, a montagem de um telefone celular é dividida em dois passos: a produção das placas de circuito (PCB), e a montagem do aparelho em si. A primeira é feita em uma linha altamente automatizada, com quase 90% do processo na mão de máquinas. Humanos (sempre mulheres) apenas supervisionam o funcionamento dos equipamentos. O processo começa com a inserção da placa de circuito, vazia, em uma máquina, que aplica a pasta de solda. Em seguida, a placa passa por várias outras máquinas, que inserem os componentes, de chips a resistores SMD minúsculos. Os componentes entram na máquina em “rolos”, e são literalmente “grampeados” nas placas em alta velocidade, algumas máquinas são capazes de colocar 14 chips por segundo. Depois, a placa vai para uma máquina que faz o “refluxo”, ou seja, derrete a pasta de solda, prendendo os componentes definitivamente no lugar.

Daí a placa segue para uma indústria terceirizada, que insire placa, teclado e tela LCD na parte da frente do gabinete. Esse “meio” telefone volta para a fábrica 2, onde mulheres em uma outra linha de montagem colocam botões, conectores e afins. Depois, os aparelhos recebem uma bateria e entram em uma série de testes, de LCD, chamada, Bluetooth, IMEI (identificador único de cada aparelho) e câmera. Os telefones aprovados são empacotados e vão para o estoque. Os rejeitados vão para um centro de diagnóstico e reparos, e voltam para a linha de montagem até estarem OK para comercialização.

Aqui a quinta termina. Pegamos o ônibus de volta para Gumi, uma viagem de três horas e meia por estradas muito boas e bem sinalizadas, apesar de bastante movimentadas, especialmente nas proximidades de Seoul. Foi o último dia de visita oficial à Coréia, sendo a sexta-feira reservada para um City Tour.

Segundo dia – HomeVita, Design e Telefonia

O segundo dia do tour oficial começou com uma visita ao showroom do sistema HomeVita, solução de automação doméstica da Samsung, que integra a a tradicional operação remota de eletrodomésticos a uma rede de distribuição de áudio e vídeo, sistema de segurança, controle ambiental e monitoramento da saúde dos moradores, tudo em um único pacote que pode ser operado via TV, Internet, celular ou através de “tablets” espalhados pela casa. Resumindo, é a casa do futuro.

Entre os recursos de destaque estão um sistema de segurança, que pode registrar todas as visitas à casa quando a família estiver ausente e avisar o proprietário pelo celular, um sistema de controle ambiental, que monitora constantemente a temperatura e níveis de CO2, oxigênio e umidade na casa, mantendo-os dentro dos limites para um ambiente confortável, um sistema de redistribuição de vídeo, capaz de enviar um filme em DVD do player da sala para a TV do quarto, por exemplo, uma infraestrutura de serviços, que permite que você faça compras ou solicite serviços em lojas das proximidades sem sair de casa, e um sistema médico, capaz de medir através de exames de sangue, urina e indicadores como peso e percentual de gordura no corpo a saúde dos moradores e comunicar estas informações automaticamente ao médico da família.

Segundo representantes da Samsung, 70% dos novos apartamentos (casas são raras por aqui) na Coréia do Sul usam algum sistema de automação doméstica, seja o HomeVita ou um produto de alguma das muitas outras empresas que atuam no setor. Para a Samsung, os principais mercados são os EUA, China e Emirados Árabes, com 25 mil apartamentos já equipados com esta tecnologia e 35 mil ainda em construção. O preço é salgado, cerca de 20 mil dólares, incluindo os eletrodomésticos “inteligentes” que, claro, devem ser todos da Samsung.

Após um almoço chinês tradicional seguimos para o Design Center da Samsung no centro de Seoul. Em 1996 o presidente da empresa determinou que o design seria fator crucial no mercado nos próximos anos, e uma das principais áreas de investimento. Dez anos e mais de 100 prêmios de desing depois, a Samsung emprega 600 designers em sete centros especializados espalhados pelo mundo, que se empenham em projetar não só o visual dos novos produtos como também as interfaces com o usuário, sejam de hardware ou software, e a chamada “experiência”, ou seja, como o usuário se sente em relação ao produto e como este afeta seu dia-a-dia. Eles trabalham duro: algumas linhas de produtos, como celulares e MP3 player, tem no design seu ponto forte, e precisam ser renovadas a cada seis meses, em média.

Terminamos o dia conversando com a equipe responsável pela divisão de telefonia celular para a América Latina. A Samsug já é a terceira colocada neste mercado, atrás de Nokia e Motorola. Infelizmente, a maioria das perguntas dos jornalistas sobre mercado, tendências e estratégias foi respondida com um “isto é confidencial”. Conhecemos a nova linha de celulares “Ultra”, aparelhos finíssimos em três modelos: Candybar (com 6,9 milímetros de espessura), Flip (com 9,9 milímetros) e Slider (com 12,9 milímetros). Todos equipados com câmeras fotográficas (1.3 megapixels no Candybar, 2 megapixels nos outros), MP3 players, Bluetooth e muitos outros recursos. Há versões CDMA (exclusivas para o mercado coreano, que também tem DMB) e GSM, para o mercado global. Para finalizar, fizemos uma visita ao AnyCall Studio, showroom de telefonia móvel da Samsung, onde pudemos ver os Ultra em ação, além de outros produtos como celulares com câmeras fotográficas de 10 megapixels (apelidado de “a câmera com telefone” por nós, devido ao tamanho), aparelhos para games (como jogos em 3D com qualidade gráfica similar à do Playstation original), aparelhos para multimídia com mixers e efeitos para brincar com suas MP3 e outros.