RetroTech: Iomega Click!

Disco Click!Caiu em minhas mãos hoje, cortesia de um amigo, uma peça de tecnologia do passado. Daí veio o estalo: porque não colocar no BADCOFFEE análises de tecnologia antiga, produtos que “poderiam ter sido” algo grande, mas que hoje são desconhecidos? Afinal, só podemos prever o futuro se conhecermos o passado, diz o ditado.

Então, declaro inaugurada a seção RetroTech. O primeiro artefato a ser analisado é um Iomega Click! Drive (e seu respectivo disco), uma tentativa da Iomega (conhecidíssima a partir de meados da década de 90 pelo seu Zip Drive) de emplacar um formato de mídia portátil de alta (para a época) capacidade e baixo custo.


Voltemos a 1999: disquetes ainda são comuns, mas já estão mostrando sinais de cansaço. Discos CD-R ainda são caros, e pendrives não existem. De olho no nascente mercado de câmeras digitais e MP3 Players, a Iomega decide retrabalhar a tecnologia do Zip Drive (que na época armazenava 100 MB por disco) para oferecer uma alternativa à cara (e limitada) memória Flash. Nasce o Click!, um formato de mídia portátil capaz de armazenar 40 MB em “disquinhos” de apenas 5 x 5,5 cm pesando meras 5 gramas.

Os “drives” não eram muito maiores. O que tenho é uma versão em um cartão PCMCIA para uso em notebooks, com as mesmas dimensões de um cartão comum (8,6 x 5,5 cm). Usar o conjunto é realmente muito simples: basta colocar o cartão no slot PCMCIA do notebook e o disco no “slot” no cartão. O disco é tratado como um disco rígido externo qualquer, e não é necessário instalar nenhum software (ao menos no Windows XP) para que o drive possa funcionar. Também funcionou da mesma forma, sem nenhuma configuração extra, no Linux (Ubuntu 7.04). Enquanto acessa o disco, o drive emite um zumbido bem perceptível. Ele também “bipa” quando conectado/desconectado do computador, o que pode assustar um pouco na primeira vez.

Iomega Click!

Drive e disco Click! O pendrive é para comparação

Comparei a velocidade de gravação do disco com o pendrive mais antigo que consegui encontrar em minha coleção, um modelo de 256 MB da Lenovo. Separei um arquivo de 32 MB e medi o tempo de cópia tanto para o Click! quanto para o Pendrive. Este último foi o vencedor disparado, copiando o arquivo em menos da metade do tempo: 6 segundos, contra 11 segundos no produto da Iomega.

Se tivesse sido lançado alguns anos antes, talvez o Click! tivesse alguma chance. Mas a baixa capacidade, combinada com a rápida queda nos preços da memória Flash e dos CD-Rs selaram seu destino, relegando-o ao rodapé da história da informática.

A falta de suporte por parte de outros fabricantes também ajudou na derrocada. A Iomega foi praticamente a única empresa a suportar o formato, produzindo os drives, discos e um MP3 Player baseado na tecnologia, o Hip!Zip. A Agfa lançou uma câmera digital (a ePhoto CL30 Click!) que usava os disquinhos para armazenar imagens. E só, ninguém mais se interessou.

Iomega Hip!ZipAgfa ePhoto CL30 Click!

Iomega HipZip e Agfa Click! Dois dos poucos produtos a suportar a tecnologia Click!

Uma curiosidade: pouco após o anúncio do produto, a Iomega mudou o nome do produto de Click! para Pocket Zip (note, na foto, que o meu drive se chama Click!, e o disco Pocket Zip). Porque? Na época a empresa foi alvo de um processo movido por consumidores nos EUA irritados com um problema em seus Zip Drives conhecido como “clique da morte”, que danificava qualquer disco inserido no drive.