WebOS no PC? Pra que?

Além de novos smartphones e um tablet, a HP anunciou hoje meio que en passant sua intenção de levar o sistema operacional WebOS para os PCs. A empresa não deu mais detalhes, datas nem esclareceu os planos, apenas mencionou o fato para deixar o mundo da tecnologia com a pulga atrás da orelha. E aí vem a pergunta: WebOS no PC? Pra que? Bom, eu tenho algumas idéias de como a HP pode aproveitar o sistema:

Substituto do Linux: Alguns modelos de netbooks (a série Mini) da HP vem com Linux pré-instalado. A função básica de um netbook é navegar na web, enviar e receber e-mails e tocar vídeos em streaming (YouTube), e o WebOS faz tudo isso muito bem. E com a vantagem que os “apps” (especialmente jogos) criados para os smartphones e tablets também rodariam no netbook. E como a HP controla o desenvolvimento do sistema, poderia inovar muito mais rapidamente do que usando um produto desenvolvido externamente.

Instant-On: Este recurso já está presente em alguns notebooks da HP. É basicamente um sistema operacional simplificado (novamente baseado em Linux) que carrega em segundos e oferece ao usuário acesso rápido à web, e-mails e música sem ter que esperar que o Windows carregue. O WebOS poderia facilmente ser adaptado para esse papel.

Nos desktops Touchsmart: A HP tem uma linha de PCs desktop com tela sensível ao toque. Quer par melhor do que um sistema operacional projetado para telas sensíveis ao toque? O WebOS poderia ser usado como substituto do Windows em um modelo de baixo custo (uma decisão ousada, sem dúvida) ou lado-a-lado em um modelo mais sofisticado (como um Instant-On mais completo).

Em tempo: não é a primeira vez que o WebOS roda em um PC. Em maio do ano passado um usuário do fórum PreCentral descobriu que a imagem do WebOS usada no kit de desenvolvimento (SDK) oficial já era compilada para a arquitetura x86. Bastou copiar o sistema para o HD, dar boot e… WebOS rodando em um notebook. Curiosamente, da Dell.

Cinco sistemas operacionais para seu netbook

Se eu tivesse que apontar qual a contribuição mais importante dos netbooks para o mundo da informática, diria que foi a diversificação do mercado de sistemas operacionais. Teoricamente eles são “PCs” como quaisquer outros, e rodam o mesmo software, mas características de hardware como o tamanho das telas, recursos de rede, tamanho das baterias, poder de processamento e espaço em disco disponível forçaram os desenvolvedores a fazer uma série de ajustes aos seus produtos.

O resultado foi uma explosão de sistemas operacionais para todos os gostos. A maioria dos netbooks vem com Windows de fábrica (XP ou 7, ultimamente), mas ele pode não ser a melhor opção para todos os usuários. Confira abaixo cinco sistemas operacionais “alternativos” que você pode usar para tirar o máximo de seu portátil. E o melhor, a maioria deles é gratuita!

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Brincando com o Chrome OS

Chromium OSEstou digitando este post em um belo netbook rodando o Chrome OS, o novo sistema operacional para ultraportáteis desenvolvido pelo Google. Não, não consegui nenhum protótipo ultra-secreto vindo de Taiwan. O netbook é meu próprio Dell Mini 9, e o sistema é um “build” criado a partir do código-fonte oficial do sistema pelo hacker Hexxeh, batizado de Chromium OS Cherry.

Você também pode experimentar: graças à magia do Open Source o sistema roda na maioria dos netbooks com processador Intel Atom e vídeo Intel, e tudo de que você precisa é de um pendrive de 1 GB. Se você tem um netbook ou notebook Dell (Mini 9, Mini 10v e Latitude 2010) é ainda mais fácil: a própria Dell oferece imagens do Chrome OS feitas sob medida (mas sem suporte) para suas máquinas.

Mas chega de blá, blá, blá. “E aí, como é o Chrome OS?“, você me pergunta. Seguem minhas impressões:

O boot é rápido, cerca de 15 segundos, bem como ações como abrir uma nova aba e carregar sites. Vídeo em flash como no YouTube roda tão bem quanto no Firefox sob o Ubuntu. Neste ponto, não tenho nada a reclamar. Estou com seis abas abertas: uma delas com um aplicativo Web 2.0 (GMail), outra com um Flash Player fazendo streaming de áudio (minha rádio favorita) e até agora não tive problemas.

O suporte a hardware, para um sistema que na prática ainda é um “pré-alpha”, é bastante satisfatório. Vídeo e som funcionaram de primeira, mas a sensibilidade do trackpad veio baixa demais por padrão. Nada que um ajuste no painel de opções não resolvesse.

A autonomia de bateria parece ser bem menor que em sistemas como o Ubuntu Netbook Remix. Vi ela levar um tombo feio de 82% para 26% em pouco mais de meia hora. Observando o medidor, a carga cai 1% por minuto. Ainda não sei se isso é erro do applet de medição ou consumo excessivo mesmo. Se for consumo, é provavelmente devido a um sistema de gerenciamento de energia não configurado. Isso merece ser investigado, fiquem de olho por aqui.

Não há um meio fácil de definir o layout do teclado como ABNT2, ou seja, nada de acentuação (vejam a solução mais adiante). A interface Wi-Fi funciona bem, mas como é uma Broadcom é necessário esperar cinco minutos até ela ser capaz de “enxergar” as redes disponíveis.

O sistema em si é incrivelmente simples. Em relação a uma cópia do Google Chrome em um PC qualquer as únicas diferenças são três ícones no canto superior direito da tela (bateria, Wi-Fi e opções) e o logo do Chrome no canto superior esquerdo, que dá acesso a uma página com atalhos para aplicativos web, sem nenhuma possibilidade de modificação. Se você já viu o Google Chrome, viu 90% do que o Chrome OS tem a oferecer no momento.

Friso o “no momento”, porque a versão final do Chrome OS, que só chega ao mercado daqui a um ano e rodará em máquinas feitas sob medida, com certeza será diferente e muito mais interessante. Eu, que acredito firmemente na idéia de “viver na web” proposta pelo Google, aguardo ansioso.

UPDATE: A solução para a acentuação em teclados ABNT2 apareceu fácil quando descobri como acessar um terminal. Tecle Ctrl + Alt + T e digite o comando:

setxkbmap -model abnt2 -layout br -variant abnt2

Problema resolvido. Outro truque: Shift + Esc abre um gerenciador de tarefas, e digitar about:memory na barra de tarefas do navegador mostra o consumo de memória em detalhes.

Mobo 3G: Quando o design estraga um produto

Visão geralQuando soube que a Positivo Informática estava lançando o Mobo 3G, esperava nada mais que um Mobo White (que por sua vez é uma versão nacional do conhecido MSI Wind) com um modem interno. Afinal, o Mobo White é uma boa máquina, com ótima autonomia de bateria (mais de 4 horas em vários testes) e bom desempenho. E diz o velho ditado: em time que está ganhando não se mexe. Certo?

Mas quando abri a embalagem do Mobo 3G 2060, tive uma surpresa: ele é bem diferente de seu irmão “menos conectado”. A começar pelo visual: ele ainda é branco, mas a tampa ganhou um acabamento translúcido, com um padrão de linhas como uma impressão digital visível sob o plástico. A metade inferior tem uma borda estreita em plástico preto, que até que dá um contraste legal. No geral ele não vai chamar a atenção por onde passar, mas não é feio.

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O “netbook da Apple”

Desde que os netbooks começaram a fazer sucesso, correm rumores de que a Apple irá lançar “em breve” um modelo para concorrer neste mercado. Faz sentido: com ASUS, MSI, Acer, HP, Dell, Lenovo e muitas outras empresas lucrando com estas máquinas, nada mais natural que a Apple também queira uma fatia deste suculento bolo.

Sem querer me gabar mas… eu já vi o netbook da Apple. Na verdade, estou usando um para escrever este artigo. O netbook da Apple tem um processador Intel Atom e 1 GB de RAM. Tem um LCD de ótima qualidade e um disco SSD, embora pequeno, no lugar dos espaçosos HDs da maioria dos concorrentes. Tem Wi-Fi e Bluetooth, claro, mas também tem modem 3G embutido.

Leopard "de bolso"

O netbook da Apple roda o OS X com desempenho muito superior a uma máquina equivalente com o Windows XP. Dá boot em 20 segundos, não reclama de múltiplos programas abertos e roda o Leopard com todos os efeitos visuais dos desktops grandes, sem frescuras de sistema “Home Basic” ou, pior, “Starter”. Ele dorme em um segundo, acorda em outro. A bateria, com Wi-Fi e em uso típico, aguenta três horas e 20 minutos, em média. E ele é bonitinho, com cantos arredondos, branco por fora e prata/preto por dentro.

Só tem um probleminha: este netbook “da Apple” não é exatamente da Apple. O netbook da Apple… é feito pela Dell!
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Dell Inspiron Mini 910: Primeiras impressões

Recebi ontem meu Dell Inspirion Mini 910 (também conhecido como Dell Mini 9), o netbook da Dell. Depois de um ano com um EeePC 701, era hora de pular para a “nova geração” de netbooks, equipados com mais RAM, telas maiores e melhores, discos SSD mais espaçosos e, mais importante, processadores Atom, que representam tanto um ganho em desempenho quanto no consumo de bateria. Isto não é um review, e sim um apanhado de “impressões iniciais” sobre a máquina. Perguntas são bem-vindas, é só deixar um comentário.

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Ubuntu 9.04 Netbook Remix no Eee PC 701

Comentário rápido: quando vi que saiu o primeiro beta do Ubuntu 9.04 (codinome Jaunty Jackalope), corri para dar uma “olhadinha”. Baixei a ISO do LiveCD/instalação, passei pra um pendrive usando o UNetbootin e instalei no meu companheiro de aventuras: um Eee PC 701 com 512 MB de RAM.

Me decepcionei com o desempenho. A interface Netbook Remix é absurdamente lenta: são necessários quase dois segundos para ela reagir e fazer o “mouseover” dos itens nas listas laterais. Abrir o Firefox demora notavelmente mais do que no Ubuntu 8.10 usando o desktop padrão. Acabei desinstalando e colocando o Ubuntu 8.10 de volta no lugar.

Entendo que a versão Netbook Remix é otimizada para netbooks com telas de 10 polegadas e processadores Atom, mas podiam fazer um trabalho para garantir que ela rodasse pelo menos de forma “usável” no Eee PC 701, máquina que iniciou a onda dos netbooks e ainda é bastante popular por aí. Acho que é hora de trocar de máquina.

Navegando em um netbook

Netbooks, como o ASUS Eee PC 701, foram feitos para “viver” na internet, daí o nome. Infelizmente, a resolução da tela, de apenas 800 x 480 pixels, complica um pouco as coisas: sites como a Wikipedia, ou as ferramentas do Google (Reader, Gmail, etc) são espertos o suficiente para adaptar o layout às dimensões reduzidas, mas a maioria é “hardcoded” para uma resolução de 1024 x 768 pixels. O que significa scroll lateral aos montes para poder ver “toda” a página.

Uma solução é usar o recurso de “zoom da página” (Page Zoom) para afastar a imagem e ver tudo de uma vez só. Mas é um saco ter de teclar Ctrl + e Ctrl – a cada site que você visita, o dia inteiro. Felizmente existe um complemento para resolver este problema: é o Default FullZoom Level.

Com ele você pode redefinir o zoom “padrão” que o Firefox vai usar para cada site visitado. Um valor de 80% é suficiente para o Eee PC, já que 800 pixels é cerca de 80% (na verdade 78% e alguns quebrados) de 1024. Isso elimina o scroll horizontal na maioria dos sites. Se o texto ficar pequeno demais para ler, é só ajustar manualmente para um nível confortável com o atalho Ctrl +. O complemento lembra automaticamente o ajuste usado em cada site, então você só precisa fazer isso uma vez.

O único ponto negativo é que o Firefox insiste em colocar uma fina “borda” preta cercando as imagens quando a página está redimensionada, o que estraga o visual de alguns sites. Mas é um preço pequeno a pagar pelo maior conforto na navegação.