Raspi Boy: monte seu próprio console portátil

Montar um console portátil a partir de um Raspberry Pi não é novidade: bastam 5 minutos no YouTube e você encontra dezenas de vídeos com tutoriais, geralmente “canibalizando” a carcaça de um Gameboy e com uma boa dose de trabalho manual regado a solda, cola quente e fios por todo lado (essa é a parte divertida). Mas quem gosta da idéia de um “retroportátil” e não quer “sujar as mãos” começa a encontrar opções bem interessante, como o Raspi Boy.

raspi boy

Trata-se de um kit completo para montar seu retroportátil. Inclui o gabinete em plástico (baseado no molde de um controle de SNES), tela LCD TFT de 3,5″, botões e placa para o controle, circuito de carga da bateria e a própria bateria. Basta adicionar um Raspberry Pi Zero ou Zero W. E o mais legal é que zero solda é necessária, todos os componentes são simplesmente encaixados. A operação mais complexa aqui é apertar os parafusos para fechar o gabinete. Saca só:

O kit básico do Raspi Boy custa 69 Euro na 8b Craft. Ah, se eu tivesse grana…

Consertando o som do MD Play

Há cerca de 8 anos a Tec Toy lançou no Brasil um produto bastante interessante: o MD play, um Mega Drive portátil. Muito menor que um Nomad, com uma boa tela colorida e baterias que duram mais do que 45 minutos, parecia a forma ideal de levar os jogos favoritos do Mega Drive para onde quiser.

Só tem um probleminha: o som do MD Play é horrendo. Não sei como a TecToy deixou passar isso, mas boa parte das músicas toca uma oitava abaixo do que deveria, e o PSG (chip responsável por vozes e efeitos sonoros) está distorcido. Para um console com muitas músicas memoráveis, é um pecado mortal.

tectoy md play

O MD Play da TecToy. MegaDrive de bolso, mas som deixa a desejar.

Comprei um MD Play há cerca de 2 anos esperando usar a carcaça para um Raspberry Pi portátil, mas o projeto nunca foi pra frente e ele ficou guardado numa gaveta. Até que nesta semana, vendo alguns vídeos sobre melhorias de som feitas no Novo MegaDrive da TecToy, vi uma menção a uma solução similar para o MD Play feita por um desenvolvedor russo e resolvi experimentar.

E não é que funciona? O som, embora ainda não seja perfeito, fica muito mais próximo ao original do console, e com isso a experiência de jogo fica melhor. E o mais legal é que a “modificação” é feita puramente em software e reversível se você não gostar do resultado. Veja como fazer:

Preparando o cartão de memória

  • Baixe este arquivo, que contém uma versão corrigida da BIOS/Menu usada no MD Play.
  • Retire o cartão de memória de seu MD Play e coloque ele em seu PC.
  • Renomeie a pasta GAME do cartão de memória, onde estão seus jogos, para ROMS.
  • Crie uma nova pasta GAME no cartão de memória.
  • Descompacte o arquivo baixado e copie o arquivo MenuForced_20111026.bin para dentro da pasta GAME no cartão.
  • Ejete o cartão do PC e insira em seu MD Play.

Usando o novo menu

  • Ao ligar seu MD Play, ele vai mostrar o menu padrão de fábrica. Aperte Direita duas vezes, selecione a opção SD Card e aperte Start.
  • O console vai mostrar um menu com um fundo amarelo e apenas um “jogo” no cartão, o MenuForced_20111026.bin. Selecione-o com Start.
  • A mensagem Loading Game vai aparecer na tela por alguns segundos, e o console vai aparentemente voltar pro menu principal. Não se preocupe, está tudo certo: na verdade esse já é o novo menu corrigido. Selecione SD Card e aperte Start.
  • O console agora vai mostrar todos os seus jogos que estão na pasta ROMS. É só escolher um, apertar Start e jogar.

A diferença na qualidade do som é bem clara. Compare, por exemplo, a música da 1ª fase (Green Hill Zone) de Sonic 1 com a BIOS original e com a nova versão. Ou então Idaten em Shinobi III. A solução não é perfeita, aqui e ali você pode notar algumas diferenças no áudio ou notas “dissonantes”, mas é um grande avanço em relação à BIOS original.

Este truque só tem um porém: o novo menu não consegue carregar os jogos da memória interna do aparelho, o console mostra apenas uma tela preta. A solução é carregar estes jogos no menu original (o que aparece ao ligar o console) ou então colocar uma ROM do jogo na pasta ROMS para jogar com o som corrigido. Divirtam-se!

Projeto Mimas: recortando e colando

Depois de configurar o software e determinar a posição dos componentes dentro da carcaça do Mega Drive, chegou a hora do próximo passo no projeto do meu console: fixar tudo lá dentro. Como já disse, a idéia era aproveitar ao máximo as portas já existentes na carcaça (duas na frente para os joysticks, duas na traseira para o conector de força e a saída A/V) e evitar cortes extras.

Para posicionar meus cabos na altura correta das portas originais, me inspirei na própria SEGA: os conectores originais são fixados à placa-mãe do console, que é parafusada a postes na carcaça. Os meus foram fixados a “prateleiras” feitas com pedaços de acrílico (recortado de estojos para CD), parafusadas aos mesmos postes.

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Projeto Mimas: a hora do hardware

Já contei em um outro post sobre a minha idéia de criar um “console” capaz de emular meus sistemas favoritos, usando como base o versátil Raspberry Pi, e até compartilhei um pouco sobre a configuração do software. Também falei sobre a minha “visão” para o resultado final: um aparelho que tenha a aparência e comportamento de um videogame. Por isso minha idéia de colocar o hardware dentro da carcaça de um Mega Drive 2 Japonês, o modelo mais bonito (na minha opinião) de meu console favorito.

Pois na semana passada comprei um Mega Drive 2 Japonês no Mercado Livre para tocar a segunda fase do projeto. Infelizmente “ao vivo” ele estava em pior estado do que aparentava nas fotos, com vários riscos bem visíveis na carcaça. Mas por enquanto irá servir, considerem esta a versão “Mark Zero” do hardware.

JpegA “vítima”. Guardei a placa original (segundo o vendedor funciona), pode ser útil um dia.

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Projeto Mimas: do arcade para o (micro) console

Pouco mais de quatro anos atrás, durante um raro período de férias, decidi tocar um projeto: criar minha própria máquina de arcade, recheada com os meus jogos favoritos. Comprei o hardware e fiz algumas experiências, mas no final de contas acabei mudando de idéia no meio do caminho, e o que seria um arcade virou um Media Center que, após algumas iterações e upgrades de hardware, está em uso até hoje.

Minha primeira experiência com o Arcade

Mas a idéia do “arcade” não morreu: na verdade ela vem “fermentando” ao longo dos anos, e por restrições de orçamento e espaço se transformou em um console. E nesse tempo avanços no hardware e software tornaram possível fazer algo do jeito que sonhei: uma máquina com o tamanho e o comportamento de um videogame. Nada de intermináveis listas de ROMs que tem que ser navegadas com teclado, quero uma interface organizada (de preferência automaticamente) e bonita, controlada apenas com um gamepad, em uma máquina que não destoe dos outros componentes do meu rack e, melhor, não soe como um helicóptero decolando quando ligada.

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[REVIEW] Controle de 6 botões para o Mega Drive

Quem tem consoles antigos sabe como é difícil encontrar controles em boas condições, ainda mais por um preço decente. Felizmente quem curte o Mega Drive tem uma boa opção nestes controles de 6 botões que encontrei no DealExtreme, por indicação do amigo FRS.

São quase idênticos ao Six Button Control Pad / 6 Button Arcade Pad original: o formato é o mesmo (provavelmente o molde foi copiado) e as diferenças mais óbvias são cosméticas: todos os botões são pretos (no original X, Y, Z e Start são cinza), não há o logo da SEGA e a palavra START é moldada no plástico acima do botão, em vez de impressa em branco abaixo dele.

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MSX na mídia

Há cerca de um mês e meio, recebi do pessoal da excelente revista Old!Gamer (especializada em jogos e consoles antigos, como diz o nome) a missão de escrever um “dossiê” sobre o MSX no Brasil. Já tinha feito isso antes, na finada EGM, mas desta vez a história é diferente: a matéria ganhou um espaço gigantesco de 10 páginas (um latifúndio em termos de revista), tive bastante tempo para preparar tudo e ainda contamos com um fotógrafo para a produção das imagens e acesso à enorme coleção de micros do Daniel Ravazzi (valeu Ravazzi!) para ilustrar o texto.

Some a isto tudo o excelente trabalho de diagramação da equipe da revista e o resultado, modéstia à parte, ficou excepcional. Nenhum fudeba pode ficar sem seu exemplar. A edição nº 2 da Old!Gamer deve chegar às bancas em novembro, mas o Fábio Santana liberou a publicação de um “teaser” aqui no blog. Dêem uma olhada na dupla de abertura:

"Dupla" de abertura da matéria na segunda edição da Old!Gamer
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Feliz Aniversário, Apple ][!

Crédito: vintagecomputing.comOntem, 05/06/07, o Apple ][ completou 30 anos. Não, eu não esqueci a data, só não arranjei tempo para postar sobre o assunto. Nem poderia esquecer, afinal comecei no mundo da informática com um Apple ][. Um clone do Apple ][e, para ser mais preciso, um TK3000 IIe com 64K de RAM e uma unidade de disco. Na época, era o equivalente a ter um PC com um Core 2 Duo e um gravador Blu-Ray, acreditem 🙂

O Apple ][ leva o crédito por ser o primeiro computador para as “massas”. Vinha já montado em um elegante gabinete plástico, com tudo o que você precisava para rodar, inclusive o teclado. Na época, ainda eram muito comuns os computadores na forma de “kit”: compre as peças, monte você mesmo e reze para funcionar. Ele também foi uma das primeiras máquinas do mercado com um drive de disquetes por um preço acessível, e lar do primeiro sucesso estrondoso no mundo do software: a planilha de cálculo Visicalc, pioneira no mercado. Inicialmente exclusiva para o Apple ][, no auge de sua popularidade contadores e gerentes financeiros compravam o micro só para poder rodar o Visicalc.

Tão versátil e popular era o Apple ][ que, mesmo com a chegada de máquinas mais poderosas, como o Macintosh e Amiga, a Apple continuou a produção até 1993 (16 anos ininterruptos!), e no final vendeu entre cinco e seis milhões de unidades. Tal sucesso se deve a dois fatores: a quantidade imensa de software, em todas as categorias que você pode imaginar, e sua expansibilidade, com sete slots para placas de expansão que podiam ser desde uma simples interface serial para impressora a interfaces de aquisição de dados de instrumentos de laboratório. Essa mesma versatilidade é um dos motivos para o sucesso do “PC” hoje em dia.

Para conhecer um pouco mais da história deste computador que ajudou a moldar a indústria da informática, comece pelo excelente Apple ][ History, que cobre toda a vida da máquina, desde os tempos pré-Apple até o fim da produção (e o que aconteceu depois). A EWeek tem um artigo sobre o Apple II e uma entrevista com seu criador, Steve Wozniak. O blog RetroThing também cobre a data. E se você quiser matar a saudade de seu velho micro, ou experimentar a computação em sua infância, pode recorrer a emuladores. Para o Mac OS X, uma alternativa é o Apple ][ Go, escrito em Java e que pode rodar como um widget no Dashboard. Para Windows, uma boa alternativa é o AppleWin. Usuários de Linux podem experimentar o XApple2, também disponível no repositório apt do Ubuntu.

RetroTech: Iomega Click!

Disco Click!Caiu em minhas mãos hoje, cortesia de um amigo, uma peça de tecnologia do passado. Daí veio o estalo: porque não colocar no BADCOFFEE análises de tecnologia antiga, produtos que “poderiam ter sido” algo grande, mas que hoje são desconhecidos? Afinal, só podemos prever o futuro se conhecermos o passado, diz o ditado.

Então, declaro inaugurada a seção RetroTech. O primeiro artefato a ser analisado é um Iomega Click! Drive (e seu respectivo disco), uma tentativa da Iomega (conhecidíssima a partir de meados da década de 90 pelo seu Zip Drive) de emplacar um formato de mídia portátil de alta (para a época) capacidade e baixo custo.

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